8 de agosto de 2016

Falácias argumentativas: formas rasas e equivocadas de debate

Recentemente descobri um canal fantástico no youtube, idealizado por um Professor de Direito da UFMG de nome Túlio Vianna, com excelentes vídeos de conteúdo jurídico e outros relacionados à argumentação.  

Um dos assuntos de que mais gostei, encontrado lá, foi a série sobre Falácias Argumentativas - na verdade eu já procurava por isso para estudos relacionados a um concurso que irei fazer; digitei o tema no local de busca do youtube e saiu, em "primeira mão", esse canal.

por cartadenaturaleza.blogspot.com

- Felizmente, era tudo que necessitava!   Lá ele discorre, com toda propriedade, sobre as formas de argumentação que devem ser evitadas num discurso.

As principais delas seriam:

"Argumentum ad hominem"
Esse tipo de argumento é considerado pelo Professor como sendo um dos argumentos mais rasteiros que a pessoa poderia se utilizar contra o debatedor - ou seja, a pessoa refuta o argumento de seu interlocutor porque num passado remoto, ou próximo ele teria feito algo relacionado com o assunto debatido; ou se utiliza da defesa da pessoa para dizer que ela tem algum interesse no assunto porque ganha com isso (exemplo seria de um Advogado que defende a legalização da maconha; segundo o debatedor o outro estaria defendendo porque lucraria com isso como criminalista que é);

Falácia naturalista
A pessoa defende esse tipo de argumento baseando-se na vida animal e na natureza de um modo geral.  Exemplo: não deve haver relações homossexuais porque na natureza os animais não tem vida homossexual - isso seria um argumento muito raso para considerá-lo válido;  outro exemplo seria a descriminalização da maconha uma vez que ela é natural - segundo o Prof. Túlio, veneno de cobra também é natural e não deve ser consumido - são argumentos fracos pois, apesar do homem ser um animal ele é racional, não devem ser levadas em conta atitudes de outros animais ou a vegetação para debater ideias;

Falácia do falso dilema ou Falsa dicotomia
Nesse caso o interlocutor coloca, apenas, duas possibilidades como reais; é como se o mundo fosse em preto e branco. Exemplo: ou você é um "coxinha" ou um "petralha", ou é de direita ou de esquerda, quando na verdade existem "N" opções, especialmente em se tratando de Brasil, o que não falta por aqui são partidos com as mais "diversas ideologias" - portanto, não é porque discordo das ideias do PT que eu tenha que aceitar e concordar com as do PSDB - 8 ou 80 não funciona como argumento;

Falácia do Espantalho
Aqui o debatedor vai usar o argumento do outro criando uma caricatura dele para rebatê-lo - veja um exemplo utilizando, também, acerca da legalização das drogas: você diz que é a favor da legalização por isso ou aquilo e ele se aproveita para dizer que é um absurdo querer que crianças usem maconha ou crack em sala de aula - quando você, em momento nenhum, falou isso...., nesse caso é melhor pedir um aparte, imediatamente, para deixar claro que você NUNCA disse isso ou as coisas ficarão ruins para você se defender depois;

Apelo à autoridade
Também chamado de argumento de autoridade, é aquele que a pessoa se utiliza para ganhar a conversa na "carteirada" e desqualificar o "adversário debatedor" com palavras que, sequer, são suas.  "Foi fulano, especialista nesse assunto que disse isso - quem é você para dizer que está errado, que não é assim"?   Por outro lado, existe também o "apelo à autoridade enviesado, invertido", ou seja, a pessoa diz que você é qualificado demais, academizado demais para poder falar sobre um assunto do mundo prático;

Falácia do verdadeiro Escocês
O nome vem da ideia de que um Escocês estaria lendo um jornal e acaba por se deparar com uma notícia de que um conterrâneo teria cometido um crime bárbaro..., logo ele diz que isso seria impossível uma vez que seu povo não praticaria crimes assim; no entanto, mais abaixo ele percebe que já está claro para a justiça que SIM, que teria sido um Escocês o autor da barbárie..., então ele dirá que o "verdadeiro Escocês", o Escocês nato, não faria isso.  É o mesmo discurso que muitos cristãos e muçulmanos se utilizam para declarar que suas crenças são de paz e quem as pratica também é paz e amor, portanto quando ocorrem estupros, pedofilia, ou terror envolvendo essas crenças logo saem na defesa de que os VERDADEIROS CRISTÃOS ou VERDADEIROS MUÇULMANOS não fariam isso!  Trata-se de mais uma falácia pois, excluir a pessoa ou pessoas de um grupo só porque elas praticaram algo não condizente com o que deveria ser praticado não trará mais veracidade a sua argumentação;

Falácias causais
Nem sempre algo que veio depois tem relação com algo praticado antes.  Ex.: Uma pessoa não teria, NECESSARIAMENTE, sido assassinada hoje porque discutiu ontem, num bar, com uma gangue; causa e efeito podem ter relações mínimas e se tornarem indícios, não certezas ("Post hoc ergo propter hoc", terceira causa, causa diminuta ou causa insignificante e causa complexa);  outro exemplo, bem comum de se encontrar, vem de pessoas que crêem no "divino, no espiritual" - elas vão a um culto hoje, se amanhã ganharem na mega sena passam a acreditar, fielmente, que uma coisa teria SIM relação com a outra, quando não passa de ilusão, nesses casos, quase sempre se tratará de fantasia de quem quer crer em algo "superior"; quando a coisa é mais palpável, mais real já é difícil uma correlação, imagine em casos espirituais.


Falácias indutivas
Aqui se trabalha com a lógica das generalizações - se a amostra for grande, como por exemplo, a pessoa vê o sol nascendo todos os dias e conclui que o sol também nascerá amanhã - isso pode dar certo e nem se precisa dizer porque; mas se a amostra for pequena a conclusão será falaciosa, não confiável.  Um outro exemplo, desta feita falacioso, seria dizer que as cotas não são necessárias porque eu conheço um fulano que passou numa Universidade Federal, para um curso difícil sendo negro e não foi pelas cotas - são dados insignificantes, INSUFICIENTES para concluir que tal coisa é necessária ou NÃO!

Argumentum ad antiquitatem e Argumentum ad novitatem
Argumento pela antiguidade/tradição e argumento pela novidade. Para o primeiro poderia se trabalhar o argumento de que se os crucifixos estão há tanto tempo nos órgãos públicos, nas salas de audiência como tradição, por que retirá-los agora?  Pensando dessa forma deveríamos seguir com a escravidão porque ela também já foi uma tradição; as mulheres deveriam continuar sem direito ao voto porque durante muito tempo foi assim - as coisas mudam quando não funcionam ou não fazem sentido, a vida é assim! Quanto ao segundo, "ad novitatem", ele trabalha com a ideia de que tudo que é novo, necessariamente, é bom, é melhor, quando não é bem assim;

Dissonância cognitiva
Fenômeno psicológico que mais cedo ou mais tarde afetará você, eu, nós (uns mais vezes, outros menos).  O fato é que ninguém gosta de admitir que está ou esteve equivocado durante anos ou a vida toda, para isso o cérebro vai fazer de tudo para mostrar que a pessoa sempre esteve ou está certo por mais que haja evidências, na verdade, fatos conclusivos de que não está e nem nunca esteve certo - são os "turrões, os casca grossa" da turma; estão presos as suas convicções, não admitem errar!  Uma história para demonstrar como funciona a Dissonância Cognitiva: "certa feita um líder religioso disse aos fiéis de sua seita que o mundo acabaria numa data tal e portanto deveriam se preparar. Reuniram-se todos num local,  nesse dia, e oraram muito; o dia seguinte chegou e o mundo não havia acabado como previsto; ao serem questionados eles disseram que não acabou porque eles haviam orado, rogado muito para que não acabasse - ao invés de admitir o erro do líder e de si próprios por acreditarem, fizerem foi defendê-lo e admirá-lo ainda mais pelo poder que ele representava dentro da seita conseguindo que o mundo não acabasse. (Admitir que se enganaram e foram feitos de bobos, ninguém quis)!  

Apelo à pobreza e Apelo à Misericórdia
Argumentum ad Lázarum e Argumentum ad misericordium: o primeiro trabalha com a lógica emocional, procura fundamentar na pobreza o que a pessoa disser ou fizer só porque ela é pobre - quem não aceitar estará sendo cruel e contra os pobres (falacioso pois seria paternalista atuar nessa linha); o segundo, o apelo à misericórdia, procura sempre ser favorável a quem já sofreu muito por algo (por ser negro, por ser deficiente, homossexual, etc), um exemplo seria dizer que fulano não poderia opinar acerca do homossexualismo por é hétero - já beltrano sim, pois é homossexual e já sofreu muita discriminação por isso!

Veja abaixo um dos vídeos de que falei no artigo (Pelo canal Tulio Vianna TV)



Bons estudos a todos!
Por Elane F. de Souza (Advogada e autora deste Blog)
Fonte: artigo inspirado nos vídeos do canal Túlio Vianna TV - dos vídeos sobre falácias!





Postar um comentário