29 de novembro de 2015

INVEJA: sentimento asqueroso difícil de ser reconhecido!

Antes de iniciarmos o assunto quero fazer uma pergunta a quem estiver começado a ler o texto que virá a seguir.

Alguém aqui  tem inveja de Gisele Bundchen, da Angelina Jolie ou, no caso dos homens, alguém tem inveja do Neymar,  do Ronaldo R7, do Messi ou de outra personalidade qualquer, famosa e rica?  

Acredito que não pois, a maioria de vocês não tem contato direto com eles, o máximo que podem ter é admiração e/ou ser seus fãs!  

Posso até estar enganada, todavia credito que não!

A teoria que tenho para explicar tal fato é a seguinte:  as pessoas só têm inveja do que, ou quem, lhes é próximo.

Do que, ou quem está distante é, praticamente, impossível ter esse sentimento asqueroso.  Geralmente  o “próximo”  é que causa desejo, angústia, tristeza e frustração pela falta.

Infelizmente é assim; a inveja vem pelo que está bem “a mão”!  Um colega ou amigo que passou num concurso dificílimo e você não; ou que adquiriu um belo e novo carro e você não pode ter um igual; ou pelo fato de ele ser mais bonito, atraente e simpático que tu, por isso pegou a menina mais bonita da cidade – aquela que tu estava de olho e, indo além: alguém que você conhece muito bem, é “amigo (a)”, ganhou na loteria o prêmio da virada e sumiu do mapa!

- “Ahh, que pena que não fui eu”! Pensa você, pensamos nós!  

-  “Esse aí nunca mais aparece; não nos vai dar um tostão”!   Como se ele tivesse obrigação de contribuir ou cambiar a vida de todos os que estão próximos, com o prêmio!  Nesse momento começam a criticá-lo, com uma certa raiva e desejo de estar no lugar dele (do sortudo)!

O engraçado é que nessas horas ninguém se recorda da quantia de milionários  que estão espalhados por aí e que, nenhum deles, vive doando dinheiro para parente e amigo…., mas o “pobre milionário”, que ganhou pela “sorte”, deve doar!   Sorte essa que deve ter chegado depois de feitas milhares de apostas frustradas; investindo dinheiro nas lotéricas, enriquecendo outras pessoas e o Estado.   Muitas das vezes sendo motivo de chacota por quem não joga, por quem não acredita!  Inclusive por quem agora o inveja e quer um quinhão!

Não há como fugir! A inveja sempre estará próxima de nós!

Quem nunca percebeu que ao contar algo bom que aconteceu consigo para um colega ou “amigo” a feição dele tenha mudado, mesmo que seja de leve, mesmo que ele diga que tenha ficado feliz por ti?

Isso é inveja, mesmo que seja passageira, ela vem!  Mesmo que você não queira, muitas das vezes ela vem!  O bom é que, se a amizade for verdadeira, ela passará e você nem notará que foi vítima.   Todavia, quando o invejoso é um “meliante” por natureza a inveja poderá ser fatal, quando não, pelo menos algum estrago ela causará!

A inveja é algo tão ruim  que o invejoso é capaz de ser mais feliz se algo de bom se passar com alguém que ele não conhece do que contigo. 

Muitos devem estar pensando ou refletindo que tenho razão, mas dificilmente seriam capazes de se reconhecer invejoso! 

Não deve ser fácil ter a amizade de alguém e de um momento para o outro  ver essa pessoa realizar o sonho dela e da maioria dos seres humanos (tornar-se famoso por algo que fez, ter um talento revelado  e ainda ficar rico por isso) e você seguir no seu marasmo!  Certeza que muitos preferiam ver isso se passar com um desconhecido, com alguém que esteja bem distante do rol dos amigos!

Parece cruel dizer isso não é?  Parece coisa de amigo da onça, não é verdade?  

Todavia, digo que não!  A inveja é só algo inerente ao ser humano e por mais que não queiramos reconhecer, alguma coizinha em nós sempre vai haver!

Aquela coisa de:  “amiga, que alegria – sou tão feliz por ti”; a maioria das vezes, soa tão falso que nem imaginas!

Redigindo esse texto fui procurar na internet uma figura que se encaixasse bem a ele e acabei por encontrar uma pesquisa bem legal.  Ela foi publicada pela Istoé Independente, atualizada agora em novembro de 2015.  Achei tão importante  que resolvi agregar parte dela aqui; pelo menos alguns trechos que demonstra que uma e outra pessoa admite SIM que esse mal faz ou fez parte de suas vidas. Veja só:

Pesquisa revela que esse sentimento é processado na mesma região cerebral que a dor física.  Saiba como controlá-lo
Certa vez, um homem, extremamente invejoso de seu vizinho, recebeu a visita de uma fada, que lhe ofereceu a chance de realizar um desejo. "Você pode pedir o que quiser, desde que seu vizinho receba o mesmo e em dobro", sentenciou. O invejoso respondeu, então, que queria que ela lhe arrancasse um olho. Moral da história: o prazer de ver o outro se prejudicar prevaleceu sobre qualquer vontade. É por meio dessa fábula que a psicanalista austríaca Melanie Klein (1882-1960) definiu na obra "Inveja e Gratidão", um dos principais estudos já feitos sobre o tema, o comportamento de quem vive intensamente esse sentimento.
Invejosos e invejados famosos
Ao mesmo tempo que o ciúme é querer manter o que se tem e a cobiça é desejar aquilo que não lhe pertence, a inveja é não querer que o outro tenha. O mais renegado dos sete pecados capitais é uma emoção inerente à condição humana, por mais difícil que seja confessá-la. Afinal, todo mundo, em algum momento da vida, já sentiu vontade de ser como alguém. Há até um lugar no cérebro reservado para a inveja. Pela primeira vez, uma pesquisa científica mostra onde ela e o shadenfreude - palavra alemã que dá nome ao sentimento de prazer que o invejoso experimenta ao presenciar o infortúnio do invejado - são processados na mente humana.
De autoria do neurocientista japonês Hidehiko Takahashi, do Instituto Nacional de Ciência Radiológica, em Tóquio, o estudo "Quando a sua Conquista É a minha Dor e a sua Dor É a minha Conquista: Correlações Neurais da Inveja e do Shadenfreude foi publicado recentemente pela prestigiada revista cientifica americana Science. Por meio de ressonância magnética realizada em 19 voluntários (dez homens e nove mulheres), na faixa etária dos 20 anos, foi possível identificar onde os sentimentos são processados no cérebro. Ao sentir inveja, a região do córtex singulado anterior é ativada.
O interessante é notar que é nesse mesmo local que a dor física se processa. "A inveja é uma emoção dolorosa", afirma Takahashi. O shadenfreude, por sua vez, se estabelece no estriado ventral, exatamente onde se processa a sensação de prazer. "O invejoso fica realizado com a desgraça do invejado", diz o pesquisador. Durante a pesquisa, Takahashi induziu os voluntários a imaginarem um cenário que envolvia outros três personagens, do mesmo sexo, faixa etária e profissão que eles. Dois deles seriam, hipoteticamente, mais capazes e inteligentes.
Dessa comparação nasce a inveja, especialmente quando as pessoas são muito parecidas. Ou seja, é mais comum uma mulher se incomodar com outra, da mesma faixa etária e profissão, do que com alguém com características totalmente diferentes. "Trata-se de um sentimento caracterizado pela sensação de inferioridade", explica o neurocientista Takahashi. "Quando há essa sensação, é porque houve comparação e a pessoa perdeu."
O ator Roberto Birindelli perdeu muitas batalhas, mas parece ter vencido a guerra. Ao longo de seus 46 anos, a inveja sempre o perseguiu. Na escola, nutria o sentimento pelos colegas de classe que conquistavam as garotas com facilidade. Na vida adulta, sofria quando um colega ator conseguia um teste para o melhor papel de uma produção.
O sentimento o corroía tanto que ele chegou a invejar o modo como uma determinada jaqueta de couro caía bem em um conhecido. "O que me deixava mal era saber que a roupa não ficaria tão boa em mim", confessa Birindelli. "A minha inveja se repetia em tantos palcos quanto houvesse situações de comparação." Insatisfeito em se projetar o tempo todo nos outros, o ator foi em busca de auto-conhecimento.
Descobriu o eneagrama (técnica para estudo do comportamento humano), fez terapia e mergulhou na meditação. "Percebi que o problema era comigo", reconhece. "Sou inseguro em relação à maneira como a sociedade me vê." Amparado, aprendeu a lidar com a questão. "Hoje em dia, sempre que vou sentir inveja de alguém, me pergunto: ser como ele é melhor do que ser quem sou?", explica Birindelli, que está no ar na novela "Poder Paralelo", da Record. Além da insegurança, a baixa autoestima, o sentimento de incapacidade e a sensação de injustiça são características comuns aos invejosos."Pessoas bem resolvidas e esclarecidas tendem a ter menos inveja", diz o psiquiatra José Thomé, da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Mas por que há pessoas muito invejosas e outras que passam a vida quase sem sentir essa emoção? A psicóloga Sueli Damergian, professora da Universidade de São Paulo (USP), acredita que o segredo está em não ultrapassar a linha da afeição. "A inveja é sempre fruto da admiração", diz. "Se ela ficar restrita a isso, pode funcionar como impulso para o desenvolvimento." O problema é quando essa barreira é rompida. "Se o impulso destrutivo for muito forte, o invejoso passa a viver a vida do outro e isso pode ser danoso tanto para ele quanto para o invejado."
Em casos patológicos, que, segundo especialistas, são mais comuns do que se imagina, quem sofre do mal é capaz de caluniar, perseguir, e, em casos mais extremos, desejar a morte do invejado. Há, também, os que somatizam. Nessas situações, podem apresentar quadro depressivo, autodestrutivo, agressividade e tendências suicidas. O psiquiatra Thomé acredita que, salvo os casos patológicos, as pessoas têm livre-arbítrio para viver ou eliminar a inveja. "É um sentimento muito primitivo, que deve ser trabalhado."
Comum em toda a sorte de relações humanas, a inveja está presente até mesmo dentro de casa. As irmãs Júlia e Lídia Loyola, 25 e 23 anos, respectivamente, e suas meias-irmãs Fernanda e Gabriela Fernandes, 17 e 13, moram juntas e compartilham da incômoda emoção. Filhas da mesma mãe e de pais diferentes, estão sempre se comparando e lamentando aquilo que não são.
As mais velhas invejam a vida cheia de oportunidades das mais novas. "Aos 15 anos, quando precisava de dinheiro, trabalhava", diz Júlia. "A Fê não precisa disso." Fernanda reconhece. "Não fico tripudiando, mas reconheço que me sinto recompensada por ter vantagens em relação às minhas irmãs mais velhas, apesar de elas estudarem tanto", diz. "Ao mesmo tempo, queria ser como elas: tirar boas notas e não ficar de castigo."
O ambiente de trabalho, por sua vez, também é terreno fértil para os invejosos. Uma pesquisa das universidades de Warwick e Oxford, na Inglaterra, mostra que nem sempre se inveja a maneira de ser do rival, mas suas posses. No experimento, os entrevistados poderiam ganhar ou "queimar" o dinheiro do concorrente, sob o custo de perder parte de sua verba - 62% dos participantes escolheram se voltar contra o outro. Segundo a psicóloga Glaura Maria Verdiani, autora da tese de mestrado "Um Estudo sobre a Inveja no Ambiente Organizacional", pelo Centro Universitário de Araraquara (SP), é provável que esse sentimento esteja impregnado em 100% das relações profissionais.
"Em uma equipe de 30 pessoas, é possível que todos invejem alguém, em algum nível", revela. A emoção pode ter origem em qualquer um e partir para diferentes direções. Acontece entre pessoas do mesmo cargo, funcionários de funções inferiores e superiores. "Há chefes invejosos de seus subordinados, que são mais jovens, mais dispostos e, muitas vezes, mais talentosos", diz Sueli.
Aos 28 anos, a designer Claudia Neves foi vítima da inveja em seu local de trabalho. Até seis meses atrás, ela era a única funcionária entre vários homens do departamento em que trabalhava, numa agência de publicidade em São Paulo. Sua vida profissional virou de pernas para o ar com a chegada de outra garota, da mesma idade, que passou a dar expediente numa função com remuneração menor. No início, as duas se davam bem - ao menos aparentemente. Até que a nova colega passou a evitá-la e agir de maneira estranha.
"Ela não fazia o tipo feminina e, de repente, começou a me pedir dicas de maquiagem", conta Claudia. Além disso, mais gordinha, passou a se preocupar com a quantidade de calorias que ingeria. "Essa neurose começou depois que os meninos compararam o corpo dela com o meu", diz. Com o tempo, o melhor amigo de Claudia se afastou. E seu supervisor passou a implicar com seu trabalho.
A designer desconfia que foi vítima de calúnias. "Certa vez, meu chefe foi grosseiro comigo", conta. "Nessa hora, pude ver no rosto dela que estava rindo por dentro." Triste com a situação, Claudia pediu para ser demitida. "O ex-marido dela me disse que ela tinha ódio mortal de mim e queria me destruir", conta. Apesar da atitude drástica que teve de tomar, ela não acredita que a colega tenha saído vitoriosa. "Ela conseguiu me eliminar, mas estou muito feliz fora de lá", afirma.
Em novembro passado, nos Estados Unidos, o ex-âncora de telejornal Larry Mendte, 51 anos, além de demitido, foi condenado a pagar uma multa de US$ 5 mil (R$ 10,1 mil) e a prestar 250 horas de serviços comunitários por violar o e-mail de sua colega de bancada, Alycia Lane, 36 anos. Por dois anos, Mendte enviou mensagens se fazendo passar por ela para veículos de imprensa e colegas de trabalho. Durante o caso, admitiu ter inveja por causa do salário anual de US$ 780 mil (R$ 1,6 milhão) de Alycia. "O meu papel na emissora estava sendo reduzido quando ela me falou que era a nova estrela", disse, à época.
Assim como os demais sentimentos, a inveja vem de berço. Segundo Melanie Klein, até mesmo os bebês nutrem esse sentimento. Eles invejam o seio materno, capaz de alimentá-los e confortá-los. A emoção, no entanto, começa a se tornar mais visível na primeira infância e se manifesta na forma de cobiça. Pedro, 5 anos, e Isabela, 4, são primos e estudam juntos. "Eles disputam tudo: a atenção da família, dos professores, dos colegas", diz a educadora Caroline de Oliveira, 32 anos, mãe de Pedro. "Isabela é mais de cobiçar os brinquedos do primo, e ele, por sua vez, disputa a atenção das pessoas quando ela se destaca." Para lidar com a atenção, a mãe explica para o filho que não é possível ter tudo o tempo todo. "Tento prepará- lo para lidar com essa sensação, que estará sempre presente."
A psicóloga Sueli, da USP, assina em baixo. "É importante eliminar os sentimentos de inferioridade e baixa autoestima e mostrar o outro lado", explica. "Se a pessoa não é boa em algo, certamente será em outra coisa." Afinal de contas, a melhor maneira de domar o sentimento da inveja é, assim como fez o ator Birindelli, identificá-lo e aprender a lidar com ele. Graças a seu esforço, ele hoje circula satisfeito com a jaqueta de couro que tanto invejou no outro e, finalmente, comprou.
Autoria:  Elane F. de Souza (Advogada – CE) com fontes da:
 Istoé Independente, istoe.com.br  por Claudia Jordão e Carina Rabelo com Colaboração de Rodrigo Cardoso  na  Edição:  2064 |  03.Jun.09 - 10:00 |  Atualizado em 28.Nov.15 - 22:38

Foto/Créditos: Istoé Independente, está anexo ao texto que foi usado como fonte




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