21 de fevereiro de 2016

“Ghosting”, quem ainda não sofreu ou praticou que atire a primeira pedra!

A verdade é que se fazes parte da geração Y ou Z, mais cedo ou mais tarde, se não morrer antes, saberá do que se trata o tema deste artigo.

Sou da geração anterior; da geração X, e mesmo assim já sei do que falo!

A história que vou contar se passou há mais ou menos 6 anos. Ainda vivia em Portugal quando tive que conviver com o sumisso de uma pessoa; no entanto, como dizem alguns especialistas no assunto Psicologia, é só se ter a autoestima elevada que esse tipo de coisa deixará de afetar o ego mais rápido do que se pensa. 

-“Se sumiu é porque não era para ser, não me merecia – já foi tarde”!  

Algum tempo depois, já envolvida com outro, o cidadão, praticante do “ghosting*”, me liga, como se nada houvesse passado!  Com um simples “alô” de sua parte, reconhecendo o número e a voz, tive o prazer de mandá-lo se lixar e esquecer, definitivamente, do meu número! Não lhe dei tempo, nem oportunidade, para dizer o que queria. 

Nunca saberei o que era e nem me interessa!  Na minha cabeça só tinha um pensamento: “sumiu de mim, agora conviva com isso”!

Esse rapaz teve um relacionamento intenso comigo.  Era do tipo que liga 24hs por dia para saber da companheira(o), onde estava, o que fazia, ou simplesmente para dizer que me amava.  Saíamos praticamente todos os dias; além de viajarmos juntos, muitas vezes me buscava na Faculdade e no trabalho.  Um belo dia, era final de ano, foi só pressioná-lo para conhecer  sua família durante a ceia de Natal ou Hevellion que ele desapareceu. 

Como era ele quem mais ligava, aliás me ligava 24hs do dia ou mandava mensagens, fiquei esperando e nunca, mas nunca tentei ligar ou mandar mensagens perguntando algo, o que se passava, e sabem o porquê?   Porque antes disso acontecer eu havia dito a ele que se não me convidasse para alguma das ceias de final de ano não precisaria mais me ligar.  Ele só me obedeceu! Nesses casos é melhor ignorar afinal, atitudes assim são perceptíveis e avaliáveis; só não nota quem não quer notar a falta de interesse do outro – “eu, era só um passa tempo na vida dele”!

O parágrafo anterior teve como objetivo mostrar a todos(as) as pessoas que sofrem “ghosting” que o melhor é aprender a“ler sinais de fumaça”!  Tem coisas que não precisam ser explicadas; só os tolos(as) esperam explicações de atos como esse que se passou comigo.

Mas para que fique mais claro contarei outra história, essa também se passou comigo…rsrsr!   Este caso não é tão envolvente quanto o anterior.  Foi apenas um cara que conheci na internet; o outro não!  Este de que passo a discorrer tive um relacionamento breve, no entanto intenso.  Até conheci sua mãe e frequentei a casa onde vivia pois eu morava em Lisboa e ele em uma pequena cidade, a uns 50 km da Capital Portuguesa. Sendo assim, era difícil ter um relacionamento e não ir até sua morada; afinal, era lá que passávamos os finais de semana!

Poucos meses depois ele simplesmente sumiu.  Como eu não o havia pressionado para nada, como fiz com o anterior, ainda tive coragem para ligar e mandar msg via email – no entanto não obtive respostas, mas sabia que ele seguia vivo, portanto eu o deixei de lado quando entrei no site onde nos conhecemos e vi sua “movimentação” por lá conhecendo outras mulheres.   Saí do site e também de sua vida, para sempre!

Um belo dia, muitos meses depois, recebi um email seu que mais seria um pedido de casamento.  Enorme!  Com muitas palavras delicadas e frases de desculpa, além de elogios a minha pessoa.

Enviei outro de volta dizendo para ele ir para o “diabo que o carregue”, além de dizer tudo o contrário do que ele a mim!   Literalmente fui à forra!   rsrsrsr, tive muito gosto nisso!  Apesar de dizerem que “vingança é um prato que se come frio” eu o “comi morninho, pouco apimentado e delicioso”!   Pode até parecer sádico, mas tive um grande prazer nisso!

Com a evolução das mídias sociais e sites de relacionamento é normal que esse tipo de “término de relação” se “aperfeiçõe” ou no mínimo aumente a quantidade de casos!

Quando o relacionamento é superficial e se dá mais via internet não é de se estranhar que a pessoa suma.  Deixe de responder mensagens, deixe de ligar e passe a frequentar lugares distintos do de antes, onde se viam.  Não creio que relacionamentos assim sejam motivos para levar alguém ao psicólogo ou se transforme em trauma, impossibilitando a felicidade nas  relações futuras.

Diferente, em se tratando de relações de longo tempo.  Baseadas em conhecimento mútuo e sonhos em comum.  Imagine uma pessoa que esteja noivo(a), ou que viva junto, ou que planeje, juntamente com o outro, viver ou noivar-se, casar-se e ter filhos e de repente a pessoa suma de sua vida?!   Isso sim, pode ser traumático!  A pessoa “abandonada”, sem explicações, viverá com uma interrogação!


Dizem que até gente famosa já usou o artifício do sumisso para por fim a relacionamento amoroso.  Segundo contam, Charlize Theron rompeu o relacionamento de longo prazo e noivado com Sean Penn dessa forma. Literalmente,“sumiu do mapa” sem dar explicações.  Fico aqui imaginando como ela teria conseguido fazer isso com ele!

Se até as frases merecem um ponto final, imagine um relacionamento duradouro!? 

Pode até ser que a “saída à francesa”seja razoável em alguns casos, no entanto, o melhor seria dizer adeus olhando nos olhos, cara a cara, mesmo que não aja um porquê do adeus é melhor que ele seja dito, afinal, ninguém é obrigado a seguir com alguém que não queira mais (“ninguém é de ninguém – aceitem, que dói menos”!). Às vezes, só não desejamos mais estar com essa pessoa e PONTO!  

A outra deveria entender isso! Parar de ficar questionando, fazendo perguntas tolas – vai que o outro diga a verdade, o porquê não querer mais estar com ela(e).  Olha que pode doer mais que o adeus e até que o “sumisso”, melhor ficar quieto(a) e partir para um novo relacionamento!

Ou faça como eu: se um dia ele (a) voltar querendo dar explicações, dê um chega pra lá, fale todas as verdades que estão “entaladas” ou simplesmente ignore.  Felizmente já pude fazer as duas coisas, em situações distintas, e hoje me sinto muito bem!

Por fim, mas não menos importante, tenho que assumir:  já estive do outro lado; ou seja, já fui a pessoa que some e portanto posso questionar um fato. Se a pessoa some é porque a outra não lhe interessa tanto, não tem tanta importância – logo, qual o motivo dela voltar atrás, depois de algum tempo, sem nada de notícias, pedindo desculpas e querendo voltar?  Nunca vou entender mentalidades assim!

G1Globo.com
*“Ghosting” termo em inglês que, em tradução livre, significa “Fantasma”



Texto por Elane F. de Souza (Advogada e autora deste Blog ). Ao copiar cite a fonte
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