18 de janeiro de 2016

Memórias de uma atéia: a “revelação”!

A maioria das pessoas que conheço tem o mesmo discurso quando o assunto é religião.

“Você conhecerá a Deus por amor ou pela dor”!

Em 2015 completei 46 anos de idade com poucas perspectivas, deprimida e com quase nenhum sonho.  Dois anos antes, apesar de já com certa idade é que fui me dar conta de que poderia planejar a maternidade.  Sabia que era tarde, mas não sabia o quanto isso era, verdadeiramente, tarde. 

Sempre fui uma pessoa saudável, mental e fisicamente – diziam os médicos.  Talvez por isso demorei tanto para tomar coragem e tentar engravidar – preferi curtir a vida viajando muito; além disso, não tinha parceiro de longa data que quisesse compartilhar desse desejo. 

Em 2012, alguém com quem já vivia há 1 ano decidiu aceitar ser pai de um filho meu (nosso)! Resolvemos que eu deixaria de tomar as pílulas e iria engravidar, desde que isso pudesse ser feito de forma natural.

Foi nessa parada com os anticoncepcionais que me deparei com um pequeno problema envolvendo o útero e as outras partes próximas a ele.

Era um mioma e a endometriose que envolvia meus ovários, útero e parte do intestino (endometriose profunda).  Foi por isso que durante os dois anos em que tentei, ficando sem a pílula anticoncepcional, senti tantas dores, um grande desconforto e maior sangramento no período mestrual. 

Todavia isso não é um problema muito grave a não ser quando a pessoa é fissurada na maternidade e, como eu, já esteja no fim do período fértil.

Quando se é jovem e tem uma enfermidade assim é mais simples: passa por uma cirurgia aberta ou laporoscopia, dá um tempo e volta a tentar.  No meu caso já era tarde mesmo dois anos antes de descobrí-la!

Sempre quis ter um filho, no entanto isso para mim nunca foi prioridade, tanto é que esperei o máximo do tempo possível para “abrir” os olhos e me dar conta que estava ficando demasiado tarde.

Aproveitei a vida o mais que pude para decidir experimentar a engravidez. 
Apesar de ouvir de várias amigas e conhecidas mais velhas sempre  a mesma “ladainha”: “você precisa ter um filho, quem cuidará de você na velhice”?  Isso não era o bastante para me convencer. Pelo contrário,  ouvia e pensava:  essas pessoas querem  filho para amá-lo, dedicar-se a ele, cuidar e ser feliz ao máximo a seu lado,  ou querem apenas como uma garantia futura de ter um “enfermeiro (a)” de graça e não acabarem sozinhas?  Assim é melhor criar um cão ou um gato – pois deles, certamente, não esperarão nada e darão todo o amor do mundo.

A atitude dessa gente sempre me pareceu egoísta.  Talvez mais que a minha que só pensava em curtir a vida sem filho para “atrapalhar”!  
Acredito que a maioria dos pais que pensam assim sairão dessa vida bem frustrados! 
A gente cria filho para o mundo e não para si como garantia de ter um final de vida menos solitário!  Dêem amor e dedicação sem pensar em algo em troca – ficar imaginando que fazer o bem receberá o mesmo em troca é a forma mais simples de frustração!   Faça o bem por você mesmo, para se sentir melhor consigo mesmo, isso sim é amar de verdade!

Minha vida em poucas linhas

São 46 anos de “curtidas naturais”; ou seja, sem drogas, sem cigarro, sem “vadiagem”, sem nada que possa denegrir  minha imagem de pessoa de bem – pagadora pontual de suas dívidas e impostos (coisa que aprendi com meus pais), além de terrivelmente intolerante a corrupção, a gente falsa e caloteira.

Um único defeito que tive, se é que isso possa ser considerado defeito, é ter sido “namoradeira” – no entanto, uma namoradeira fiel, romântica, monogâmica e extremamente caseira e família! Quando tenho alguém a meu lado é só para ele “os meus olhos” e o corpo também!

Não possuo bens materiais, a não ser um apartamento de praia em uma cidade do nordeste; os únicos bens que possuo são o meu Diploma de Bacharel em Direito e a minha carteira da Ordem dos Advogados sem esquecer, entretanto, do maior deles, que é a minha família!

Tive 3 relacionamentos que considero como tendo sido meus companheiros.  No entanto, dois deles já haviam sido casados anteriormente, tinham bem mais idade que eu e não desejavam mais ter outra “prole”.  Apenas o último, que apesar de ter sido casado antes, não tinha filhos e para ele tanto fazia – ter ou não, tudo dependeria da parceira.  Quando nos encontramos, depois de 1 ano de relacionamento, resolvi falar que gostaria de tentar.  Ele disse que sim e foi aí que parei de tomar o anticoncepcional.

Mas, voltando no tempo, em 2003, quando colei grau na Universidade e ainda vivia com meu primeiro companheiro fixo, nunca imaginaria que os próximos anos seria de pouco proveito profissional.

Em 2004 passei no Exame da Ordem.  Exerci a Advocacia, naquela época, por pouco mais de 1 ano e meio.  Estava estudando muito com ideia fixa de ser Delegada Federal, coisa que não sucedeu. 

O meu companheiro já não estava apaixonado por mim e certamente tinha uma amante (mas negava de “pés juntos” como a maioria dos homens fazem), isso, apesar de já ter sido encontrado repetidas vezes com outra por amigos nossos, além de seu celular estar, na época, cheio de mensagens românticas.

Mas tudo bem, ninguém é obrigado a aturar outrem que não ame mais!  Felizmente, enquanto gostou de mim e até quando já não gostava e saia com outra, me tratava como princesa.  Antes por amor, depois por remorso!

Confesso que com ele fui muito feliz, mimada e querida.  Tive quase tudo que uma mulher deseja, além de muitas viagens – para uma pessoa que não tinha onde “cair morta” era o máximo hospedar-me em bons hotéis e comer em excelentes restaurantes.  Com ele eu aprendi um pouco mais a ser“gente” (educação, refinamento e elegância), também foi graças a ele que consegui colar grau sem dever um centavo a ninguém e ter uma festa de formatura que todo(a) estudante sonha – com um enorme álbum de fotos, muitas cerimônias e jantares e um vestido de “encher os olhos” na noite de gala dos formandos.

Menos de 1 ano de formada nosso relacionamento “degringolou” de vez! Sai de casa pois se esperasse por ele viveríamos um triângulo amoroso.  Certamente nunca confessaria que tinha outra. Após pouco tempo de separação já estava vivendo com ela, apesar de me ter negado sua existência sob juramento…, coisa que nunca acreditei…enfim!

O problema é que nos acostumamos a vida boa e mesmo separada segui gastando horrores no cartão de crédito.  Logo me vi cheia de dívidas que pagava na maior dificuldade, mas pagava.  Chegou um momento que não deu mais e tive que vender o carro.  Vendi e com o dinheiro quitei tudo. Sobrou algo e com ele aproveitei o convite de uma amiga que ia se mudar para Portugal e fui junto mesmo sem nenhuma perspectiva. O que queria era esquecer o ex e ver no que dava.

Acabei me acostumando a Europa e a facilidade que se tem de conhecer mais e mais do “velho mundo”!  Comecei com pequenas viagens dentro de Portugal.  Fazia escurssões turísticas de ônibus conhecendo pequenos lugares e pagando pouco.  Era ótimo,  mais uma oportunidade de ter contato  com pessoas  nativas  e  não.  Compartilhava quartos com gente que mal conhecia e economizava um bom dinheirinho para as próximas aventuras. Pode não parecer, mas era muito divertido!

Em Ismir (Ismirna - Turquia) ano 2010
Numa dessa primeiras viagens cheguei a uma cidadezinha chamada Guimarães, lá existe um muro com uma placa dizendo: “aqui nasceu Pôrtugal”!  Creio que isso fica próximo a uma outra cidade que se chama Viseu.  Digo creio porque  já faz mais ou menos 8 anos.  Foi em meados de 2007.  Depois fui a Espetacular cidade do Porto e a Vila Nova de Gaia; subindo um pouco mais cheguei à Espanha. Vigo, Tui, Pontevedra, La Coruña e finalmente a tão esperada e desejada pelos praticantes do catolicismo, e até por mim, a fascinante Santiago de Compostela (antes que me perguntem: não fiz os caminhos).  Em outras oportunidades que estive lá passei por eles de carro.  Estive nessa maravilhosa cidade por 3 vezes; nas duas últimas foi por acaso, só a primeira foi planejada – aconteceu o mesmo na cidade de Veneza-IT (Venezzia, para os Italianos).  Planejei conhecê-la e acabei voltando duas outras vezes por acaso. 

Perto de Coimbra Portugal - outono 2009
Viver na Europa para mim nunca foi um sonho, todavia, ao chegar lá, durante muito tempo, não tive vontade de voltar.  Era um mundo por descobrir, afinal o Brasil eu já conhecia quase por inteiro – felizmente!

Esse turbilhão de oportunidades, sabores e visuais me encantavam e eu queria mais. Depois de conhecer quase todo Portugal fui a Itália. Gastei o que tinha e o que não tinha andando de um lado para o outro.  Primeiro fui à Roma que passou a ser o meu sonho quando já estava vivendo no país luso, depois a Milano (Milão para nós) e seus arredores como o Lago Magiore chegando até a Suíça, uma cidade vizinha à Itália, num passeio de barco aportamos alí – felizmente lá falam italiano e foi fácil compreendê-los uma vez que já “defendia” um pouco desse belo idioma. Foi um dos mais belos passeios que fiz na vida.  A paisagem é estupenda.  A vista dos Alpes Italianos em primavera é tudo de bom.  Eu imaginei aquelas montanhas cobertas de neve e sonhei um dia poder voltar!

Sintra - prox. à Lisboa-PT, primavera 2009

Em outra temporada fui a Torino e por lá fiquei alguns dias. Essa cidade tem uma vista linda dos Alpes, coisa que se vê subindo a Torre do Museu de Cinema. Conheci várias cidadezinhas ao redor de Torino (Turin) que fica na região do Piemonte.  Durante minha estadia por lá fiz alguns passeios e acabei chegando ao Principado de Mônaco que também é um espetáculo!

Em outro ano, já não sei qual, talvez 2010/2011 passei o Hevellion em Sevilla (ES) ouvindo e vendo um Show de Flamenco enquanto jantávamos (eu e meu ex – esse era Português); ainda com o mesmo companheiro, talvez antes desse episódio, fizemos um Cruzeiro ao Mediterrâneo por 14 dias (Itália, Grécia, Turquia e Croácia) num navio recém inaugurado por Sophia Loren (era a segunda viagem feita por ele – a mobília, e ele no todo, até brilhavam de novos e limpos, além de cheirar bem).

Vaticano - IT 2008
A vida me sorriu muito; se fosse contar todas as aventuras que vivi depois dos 35 anos ficaria aqui digitando por dias.  Conheci muitos países e lugares que jamais sonharia com os meus poucos recursos. Sorte que tive foi ter ido viver em Lisboa (na Europa tudo é mais próximo e o transporte, no geral, é muito mais barato); não fosse isso, talvez, ainda hoje só teria algo a contar do Brasil que, como já disse, tive e tenho o privilégio de o conhecer quase por inteiro…., ainda hoje é por ele que me apaixono todos os dias – no mundo há lugares magníficos e o Brasil, que faz parte desse mundo, tem os seus encantos.

Svizera (Suíça) vizinha à Itália em 2008 vista dos Alpes e Lago Magiore


Por tudo que fiz e aproveitei da vida diria que, morrendo hoje, estaria realizada…, se acreditasse na existência de algum deus eu até o agradeceria pois nunca na vida sonhei divertir tanto; sentir tantos sabores e ver tantas paisagens – tudo isso sem me “perder”!  Quando voltei as minhas origens eu ainda tinha, como tenho hoje, a mesma essência de pessoa de bem sem nenhuma mácula na imagem!

No entanto, quando você opta por algo sempre estará deixando escapar outro algo.  Não é possível abraçar duas coisas boas na vida quando elas são tão distintas como as minhas eram.  Sonhava em passar num concurso para Delegada Federal no auge de meus conhecimentos, força física e dedicação (quiçá conseguiria – nunca saberei); entretanto, por acaso do destino acabei escolhendo “fugir” para um outro destino.  Esquecer um amor foi o estopim e por final a paixão por um continente me fez ficar.

Hoje, a maioria dos colegas de turma e de Faculdade são realizados ou estão no auge da profissão e eu aqui com minhas recordações de um mundo que eles sequer sonham – talvez  sonhem para depois da aposentadoria que talvez  nunca chegue (a vida é assim).  Eles tem a estabilidade, a família e a vida financeira feita e eu as recordações.
Admito que muitas vezes sinto um pouco de frustração por isso, mas não sei se faria diferente se pudesse voltar no tempo. 

A minha vida hoje é a de uma Estudante Concurseira como se fosse uma jovem que acaba de colar grau.  Correndo um pouco atrás do pão de cada dia como Advogada; felizmente tenho um marido que conseguiu aprovação antes de mim e hoje é Servidor Público, assim posso me dar ao “luxo” de, 90% do tempo, passar estudando para também conseguir o êxito entrando no serviço público.

Dizem que nunca é tarde para recomeçar; e se não der certo pelo menos eu já fiz algo que a maioria só faz depois de aposentado, ou seja, curti a vida quando ela tinha mais graça (na juventude, cheia de saúde)!

Outra coisa que deixei foi a maternidade.  Era um sonho, mas nunca foi prioridade.  Quando vi que não podia mais foi algo bastante fácil de superar.  Afinal, crianças sem pai é o que não falta nesse mundo para  adotar e chamá-lo de seu, querê-lo como seu e amá-lo como seu! 

Alguns podem dizer que sou uma pessoa sortuda, outros diriam que sou amarga e alguns mais abusados diriam que sou uma “bon vivant”.  Na verdade há um pouco de tudo em mim, afinal não sou perfeita; tenho meus dias tristes, ultimamente alguma depressão e distimia mas nada que me transforme num mostro e nem numa pessoa inútil para a vida que me resta.

Como já disse, tive quase tudo que quis para uma pessoa como eu, vindo de onde veio (de família muito humilde, todavia extremamente honesta) – assim, acredito estar qualificada para dizer que deus NÃO Existe!

A “revelação”!

Apesar de ter nascido em família que sempre acreditou na existência de um ser superior, eu, particularmente, desde criança, já fazia minhas conjecturas de uma futura atéia.

Tinhas muitas dúvidas e perguntas sem respostas.  Na verdade nunca quis admitir que era atéia porque todos diziam que acreditavam e eu, durante anos, segui o “fluxo” – hoje, admito que apenas “seguia a manada”, fui uma “maria vai com as outras”.  O medo de ser tratada de forma distinta talvez tenha sido o motivo por ter durado tanto tempo “em cima do muro”,sem frequentar igreja, mas uma estudante da bíblia, inclusive quando era criança e minha família “obrigava” a seguir com eles estudos com as Testemunhas de Jeová!

Na adolescência quase me batizei…., nessa época frequentei, durante uns 3 anos seguidos, um local que é chamado Salão do Reino das Testemunas de Jeová; acredito que só não me batizei, no final dos estudos, porque era contra a doutrina de “não servir ao exército” e não “doar sangue” – naquele tempo eu era uma fissurada pelo exército; apesar de mulher ser proibida de fazer, no serviço militar, o que fazem hoje, eu desconjurava essa doutrina deles pois amava os militares, além do mais não doar sangue para mim era o cúmulo – afinal, doar é salvar vidas!  Foi por isso e por tantos outros motivos que “chutei o pau da barraca” e deixei de ir a essa“igreja”.

Outras vezes fui à Católica e a algumas protestantes mas nunca tive paciência com as palavras contraditórias existentes na bíblia e com a cara e atitude de muitos dos “santos frenquentadores” (dentro se portam de uma forma – fora, ou longe das vistas dos “irmãos”, se portam de outra); além disso, tem a mania de dizer que só a sua salva, só a sua é verdadeira.  Amor ao próximo, só se ele professar da mesma fé!

Já na idade bastante adulta, quase toda a minha família se converteu religioso de alguma forma. Até meu pai que não vai a nenhuma se diz“católico praticante” – crente em deus!  Minha mãe, meu irmão e uma irmã e seus devidos pares e filhos, são ferenhos evangélicos. Somente eu, uma de minhas irmãs e dois de seus filhos, meus sobrinhos, são ateus, sem esquecer, é claro, do meu companheiro – esse nem se fala, é quase “contra deuses”, para ele isso de crenças e seres “imaginários”, com características superiores a nós, é pura falácia, nem sequer vale a pena discutir – total perda de tempo, segundo ele.

Hoje quando quero justificar a alguns de meus amigos (os que sobraram) a minha falta de crença eu dou como exemplo a minha vida ao lado de meu atual companheiro.

EXPLICANDO

Quando duas pessoas se casam mais cedo ou mais tarde irão mostrar o que realmente são.  Uma pessoa que passa a conviver com alguém que adora cozinhar e comer não demora muito e ela se torna uma “gordinha” juntamente com seu par (só não, se uma é totalmente diferente da outra); uma pessoa que nunca fumou e convive com fumante dificilmente ela“passará  batido” (já vi várias que passaram ser fumantes assim – o que falta é o dom, a vontade e o gosto pela fumaça. São quase umas “marias vão com as outras”).

O meu caso é o mesmo exemplo: no começo da relação eu ficava meio que horrorizada com a atitude dele não acreditar e ainda fazer chacota das pessoas e suas crenças, depois de 1 ano deixei de criticar, no segundo já era uma atéia.  E sabem de uma coisa?  Ele nunca disse nada para me convencer a ser atéia, eu apenas passei a ser porque já havia dentro de mim uma atéia louca para “sair do armário”!  Assim são os companheiros antes magrinhos ou não fumantes.  Outra coisa:  meu companheiro é fumante, todavia sigo odiando cigarro e lá se vão 4 anos de relacionamento.  Mas a explicação é lógica.  Sempre odiei cigarro, já o ateísmo sempre viveu em mim escondido, só tinha vergonha em admitir e perder os parentes e amigos que tinha – agora já os perdi, no entanto me sinto liberta!

A “Revelação”, como se deu?

Da forma como acabei de explicar.  Do nada!  Acredito que sempre fui atéia, apenas fingia acreditar para agradar “gregos e troianos” e seguir com as falsas amizades que tinha. 

Quando você é adulta tem outra mentalidade.  Mentir para agradar ou dizer sim pelo mesmo motivo deixa de ser regra, você passa a falar a verdade mesmo que essa verdade  lhe custe a debandada de uma “chusma” de gente que dizia ser amiga.
Infelizmente, ainda hoje se assumir ateu é o mesmo que dizer que “come criancinha” ou adora o “capeta” – todo mundo passa a te odiar gratuitamente.  As pessoas não sabem a diferença entre um ateu e um adorador do diabo.  Quem adora o diabo, que também não existe, é um ser imaginário, tem uma crença (ela existe e se chama Satanismo) – nós, ateus, não temos nenhum ser imaginário para adorar.  Somos pessoas que não creem em nada, talvez na ciência.

Somos hereges *(1) para todas as crenças como os são quem acredita que só a sua crença salva.  Um católico é herege para a crença em Alá, para o Espiritismo, para o Candomblé  e vice versa.

*(1) Herege: é o nome dado ao indivíduo que professa uma heresia, ou seja, que questiona certas crenças estabelecidas por uma determinada religião. É a pessoa que é contrária aos dogmas de uma determinada religião ou seita.

Um indivíduo ateu pode ser categorizado como herege, pois não acredita na existência de Deus e que não pratica os deveres religiosos. Assim como um ateu pode ser considerado um herege pela Igreja Católica, um católico pode ser considerado um herege por um praticante de outra religião que apresente doutrinas distintas. Desta forma, o conceito de heresia vai variar de acordo com os ensinamentos característicos de cada religião.(por significados.com).
No início dessas memórias revelei a minha atual idade e o meu“estado de espírito” atual (só uma forma de expressão). Apesar disso, admiti que sempre tive um lado meu que mais “pulsava”pelo ateísmo. 
Nos bons tempos duvidava, mas vivia rodeada de gente que acreditava e literalmente “puxava o meu saco”, por isso não tinha coragem em admití-lo (era confortável ser “amada”, mesmo que falsamente), hoje não importa mais, o que realmente quero é ser eu mesma – poder dizer a todos quem sou, quem me quiser, quem me amar de verdade seguirá a meu lado apesar de minhas convicções serem distintas das, da maioria.  O que importa para mim é ser quem sou, a minha índole, a minha ética e moral intocáveis – quem pensar que me transformei num monstro ou numa louca por não ter uma crença que siga seu caminho e esqueça que um dia me conheceu, é melhor para todos  pois se acaso me sentir discriminada não hesitarei em partir para um processo judicial e isso não será bom para ninguém!
Também, que fique claro: não estou aqui “pregando” meu ateísmo, apenas me revelando, afinal todos nós temos um pouco de ateu – um praticante de uma fé é ateu de outra!
Por fim, duas citações que gosto muito – uma vem da Bíblia (Lucas 19:27) e a outra vem do Escritor José Saramago.
Primeira: …E quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim”.(Bíblia, Lucas 19:27)
Segunda:  Perguntou-se a José Saramago:
– Como podem homens sem Deus serem bons?
Sua resposta foi:
– Como podem homens com Deus serem tão maus”? 


Por Elane F. de Souza Autora deste Blog (publicado primeiramente no Blog Hereges.Com

Recorte desta pequena publicação em Livraria



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