23 de dezembro de 2015

Um porta voz pró-suicídio assistido!

Em 25 de outubro de 2006, um cientista neozelandês macerou 18 tabletes de morfina e os diluiu em um copo d'água. Deu a bebida para sua mãe, doente terminal de câncer cervical (isso no Brasil seria Homicídio – também chamado de Eutanásia, ou morte piedosa – todavia ainda é crime punível pelo Código Penal vigente no seu artigo 121, parágrafo 1º e artigo 122 do mesmo diploma Penal), parece que lá também, uma vez que ele foi condenado pelo ato praticado.

§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. (grifo nosso)

Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: (grifo nosso)
Como tudo se passou
"Houve grande alívio depois que ela bebeu (a mistura). Então sentei ao lado dela e conversei sobre minhas memórias de infância. Uma hora depois ela perdeu a habilidade para falar e caiu no sono. Eu também dormi, e quando acordei ela tinha morrido", conta Sean Davison, que escreveu um livro para contar a experiência.
No entanto, as autoridades da Nova Zelândia, onde morava a mãe do cientista, tiveram outra opinião: em 2011, Davison foi a julgamento por homicídio doloso. O caso provocou imensa polêmica, mesmo depois de o professor ter a pena revertida para o crime de incentivo de suicídio, que levou a uma punição bem mais branda: cinco meses de prisão domiciliar.
Diário
Os eventos levaram Davison a se tornar um ativista pró-eutanásia. Ele fundou a Dignity SA ("Dignidade SA", em tradução livre), ONG que faz lobby na África do Sul para a criação de uma lei permitindo o suicídio assistido. E se tornou um porta-voz para a causa, mesmo que isso inclua um constante retorno para a situação pela qual passou.
"Quando minha mãe estava doente, minha cabeça estava voltada para mantê-la viva, mesmo com sua saúde se deteriorando na minha frente. O dia em que ela me pediu que a ajudasse a morrer foi um choque. Passei dias refletindo sobre o pedido, até que finalmente percebi que a decisão não era minha, e sim de minha mãe. Quem era eu para dizer para minha mãe que ela não poderia morrer e que teria de continuar apodrecendo em uma cama?", questionou o cientista em uma entrevista para o programa de rádio Outlook, do Serviço Mundial da BBC.
Patricia, a mãe de Davison, era médica. E, durante sua agonia, recusou tratamento, segundo o filho. Ficou paralítica e perdeu o paladar, o que a levou a fazer uma greve de fome para tentar acelerar sua morte. "Ela não conseguia mais ler e pintar, que eram seus principais hobbies, porque também perdeu a habilidade de mover os braços. Quando ela parou de se alimentar e pediu que não a levássemos para um hospital, achei que sua morte seria rápida. Mas cinco semanas se passaram e ela ainda continuou viva."
O cientista era o filho caçula e não contou a nenhum dos irmãos que ajudaria a mãe a morrer. Mas escreveu um diário relatando a experiência, que enviou para uma irmã. "Ela me disse: 'você tem que publicar isso'. Era um documento do que tinha passado, foi uma forma de lidar com o estresse de tudo o que aconteceu. Minha irmã é assistente social e várias vezes tinha se deparado com casos em que parentes ajudaram entes queridos a morrer. Ela achava que tornar minha experiência pública poderia ajudá-los a ver que não estavam sozinhos", lembra.


Davison e sua mãe Patrícia

- Essa é a história verídica do Davison (um cientista neozelandês que não aguentou ver a mãe sofrendo dia após dia), contada à BBC Brasil
Apesar de estarmos inaugurando o Blog com um assunto parecido, não será esse o nosso foco, aqui o assunto será mais direcionado à Ortotanásia que significa morte correta, ou seja, a morte pelo seu processo natural. Neste caso o doente já está em processo natural da morte e recebe uma contribuição do médico para que este estado siga seu curso natural. Assim, ao invés de se prolongar artificialmente o processo de morte (distanásia), deixa-se que esse se desenvolva naturalmente (ortotanásia).
Somente o médico pode realizar a ortotanásia, e ainda não está obrigado a prolongar a vida do paciente contra a vontade deste e muito menos aprazar sua dor.
Comentários e acréscimos por: Elane F. de Souza (Advogada-CE, Administradora deste Blog).
Foto/CréditosBBC Brasil
FonteBBC Brasil





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