3 de dezembro de 2015

9 Coisas que todo imigrante deveria saber!

Imigrante é aquele que imigra, ou seja, aquele que entra em um país estrangeiro com o objetivo de residir ou trabalhar.  Ele é visto pela perspectiva do país que o acolhe como um  indivíduo que veio do exterior.  

O termo só deve ser aplicado as pessoas que pretendem fixar residência permanente no país adotivo, participando da vida social e/ou laboral.


PF
As principais coisas que todo imigrante deveria saber antes de se “aventurar”, são as seguintes:

       I.            Quem imigra estará dentro de território estrangeiro, não será mais um nacional portanto,  NÃO espere ser tratado com as “regalias” de antes;

    II.            Se imigrar para um país com a mesma língua o tempo de permanência será menor para se conseguir isonomia de direitos (é o caso dos Brasileiros em Portugal e vice versa; além dos países Afro que também falam a língua portuguesa).  Exceto alguns direitos exclusivos dos nacionais, outros, mais cedo ou mais tarde, acabará se “igualando” aos nativos; mesmo os de países com língua bem distinta, mais dia menos dia estarão com direitos semelhantes; para tanto, esses últimos terão que residir alguns anos a mais que os primeiros.  Aqui no Brasil a Lei de Imigração diz que deverão falar e escrever em língua portuguesa, ter residência fixa, não ter antecedentes criminais e outros requisitos mais deverão ser observados na referida Lei (6.815/80   artigos 111 ao 124 ) se quiserem a naturalização.

 III.            No item imediatamente anterior, como podem ver, colocamos a palavra “igualando” entre aspas – e por que?  Porque nunca um estrangeiro será igual a um nacional.  Aqui, e  em qualquer lugar que se for haverá discriminação – a não ser que se tornem ou já cheguem ricos, de outra forma só depois de um longo tempo, a segunda e as gerações seguintes.  O sujeito que imigrou sempre será tratado de forma distinta;

IV.            Saiba que  sempre terá os piores empregos; ou seja, os que sobrarem – a não ser, é claro, que você tenha um “SUPER QI”, ou algo que faça o empregador “saltar os olhos” – de outra forma, nunca vi ninguém que imigrou ter bom emprego;

   V.            Outra coisa que você tem que saber é:  uma pessoa que for contratada em um país para trabalhar em outro não é um imigrante na acepção da palavra.  Essa pessoa já vai com visto; tem um empregador que talvez seja do próprio país onde ele foi contratado – só estará prestando serviço fora da residência;  nada mais!   Sendo assim, não tente desconstituir os argumentos aqui apresentados dizendo que imigrante consegue sim, bons empregos. Exemplos de não imigrante:  Engenheiros que trabalham pela Andrade Gutierrez no Iraque, no Uruguai, ou de pesquisadores/cientistas,  de outras nações que trabalham aqui em Universidades Federais, etc.

VI.            Outra coisa que o imigrante devia saber era se colocar no lugar do povo onde estará imigrando. Pense:  Você como empresário ou dona de casa, daria um emprego para seus conterrâneos, com toda documentação em dia, inclusive podendo confirmar local de residência, experiência, recomendações e antecedentes ou preferia contratar alguém, de uma outra nação, que acaba de chegar e você não sabe nada sobre ele e ainda por cima terá um trabalhão para “documentá-lo” (INSS, Carteira Trabalho, CPF, etc)?  Aposto que você prefere um nacional à um estrangeiro!  A não ser que você seja uma daquelas pessoas que gosta de gente trabalhando como escravo e sem documentação!  Ou talvez eu esteja enganada e você seja um altruísta, queira contratá-lo mesmo com todo trabalho que te dará, pagando o mesmo salário que pagaria para um nacional – O único problema desse altruísmo é que, se houver crise de desemprego nesse dado momento, um nacional ficará sem emprego, aumentando as estatísticas. Bem, depois dessa questão apresentada você deve estar mais conformado de que os bons empregos tem que ser, devem ser e há uma razão para que seja dado mais aos nacionais – até uma questão de justiça!  Imagine um pai empresário dando a gerência de sua empresa para o vizinho!?

VII.            Esse item é para as mulheres: não saia pelas ruas do país, ou para as baladas se achando a “última bolacha do pacote” que, definitivamente, não é!  É mais fácil alguém dizer, ou pensar que és como uma  “bolacha mofa de um pacote cheio” (cheio, porque tem muita imigrante brasileira “dando sopa” no mundo todo – em especial mineiras)!  Se você é uma mulher estrangeira, servirá, na maioria das vezes, apenas, como um “produto exótico” a ser “consumido” pelos nativos (em Portugal é difícil encontrar homem que respeite brasileira pois, segundo eles, todas são “putas”); na España é igual – especialmente se forem Brasileiras e Goianas (infelizmente, essas já carregam até estigma)!  Só com uma comprovação de que é estudante ou trabalhadora poderá se  “safar” desse tipo de preconceito – infelizmente já terá sofrido!   Isso, todavia não deve passar nos grupos exclusivos de estudantes universitários/ estrangeiros (mestrado e doutorado) quando se reúnem em bares ou nas ruas, afinal esses não fazem parte do conceito de imigrante;

VIII.            Não dá!  Ficar imaginando que imigrar é um mar de rosas é para sonhadores!  Quem ainda pensa isso irá, com certeza, se dar mal!  Homem ou mulher em país estrangeiro sofre – uns mais, outros menos! Vai depender da sorte, talento e perseverança de cada um!   Há exceções de imigrantes, inclusive brasileiros, que vivem muito bem nos EUA, na Alemanha, na Itália, na Espanha e até em Portugal – agora perguntem para eles quanto tempo levou e o que passaram até que se tornassem o que são hoje? (donos de churrascarias e restaurantes estilo mineiro, blogueiras fomosas, empresários, jogadores de futebol que foi imigrante, iniciou jogando lá fora e teve sucesso – são alguns exemplos das exceções);

IX.            Mas quem ainda duvida que  pode se dar mal, pesquise como vivem os imigrantes haitianos e bolivianos aqui no Brasil?  Não vamos falar em refugiados nem exilados aqui não – isso é outra história. Nesses casos existem leis que os protegem em todo mundo; obrigando o país “anfitrião” a dar algo para sobrevivência, teto, escola para aprender a língua e documentação para que possam, o mais rápido possível, “andar com as próprias pernas”!  Já imigrante não tem nada!  A única proteção que recebem é a que a DUDH (Declaração Universal dos Direitos Humanos) dá de, NÃO ser morto, violado, agredido, torturado e preso sem uma defesa prévia!  Todo país protege os imigrantes nesse sentido, ou pelo menos deveria!

Agora que já sabem, vão com Deus e muito boa sorte - necessitarão!  

Desejo o mesmo para você que chega aqui no Brasil, como imigrante.  A vida aqui não é fácil e nós, os Brasileiros, já fomos considerados por muitos como um dos povos mais racistas que existem – espero que não sejamos, também, vencedores no quesito Xenofobia e os que chegarem, imigrando ou se refugiando, possam desfrutar desse nosso país!

Obs.: Esse não é um artigo jurídico, portanto não há embasamento em leis – são apenas conselhos de alguém que já imigrou e estudou fora!

Autora: Elane F. de Souza (Advogada – CE e autora deste Blog)

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