25 de novembro de 2015

“Pequenas corrupções levam as grandes”; coisa que os favoráveis ao impeachement de Dilma deveria saber de cor!

Quem nunca ouviu o ditado popular que diz: “a ocasião faz o ladrão!?  Pois é, Machado de Assis também ouviu, todavia concluiu que deveria ser mudado para:  não é a ocasião que faz o ladrão, dizia ele a alguém; o provérbio está errado. A forma exata deve ser esta: 'A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito”.

Não sei em que época isso se deu, mas parece que ele já tinha o conceito de furto bem definido na mente, ou foi a partir dele que, em 1940 o elaboraram, juntamente com a criação do Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei 2.848/40) .

Furto:Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Roubo:Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.

A diferença está na violência ou grave ameaça que é empregada no roubo.  O furto se dá na “surdina”, o indivíduo se aproveita da falta de cuidado e vigilância do proprietário da coisa para subtraí-la.

Foi partindo desse ditado popular que decidi fazer uma crítica a maioria do povo brasileiro hoje, em especial aos que saem às ruas pedindo impeachement desse ou daquele político corrupto, que muitas das vezes eles mesmos elegeram.

Para início de conversa quero que fique claro: sou apartidária, ou seja, não “levanto bandeira” favorável a nenhum partido político, na verdade acredito que hoje, no Brasil, não existe uma ideologia política definida em nenhum partido.  O “troca-troca” de favores para  manter a governabilidade faz com que nenhum siga o que prega.

Povo Brasileiro


Integrantes das passeatas contra o atual governo, contra o Presidente da Câmara, contra a corrupção política, de um modo geral, que assola este país; tenho um recado para vocês!

Quantos de vós já sonegou impostos que deveriam ser repassados ao Estado?

Quantos de vós já  “embolsou”o troco na padaria  ou supermercado que foi entregue a mais – mesmo sabendo que no final do dia quem arcaria com o prejuízo seria a própria moça do caixa (tão ou mais pobre que vós);

Quantos de vós já comprou algo sabendo que não podia pagar só pelo poder da ostentação?

Quantos de vós já emprestou roupa da amiga e não devolveu?

Quantos de vós já deixou de efetuar o pagamento de uma conta esperando que ela prescrevesse?

Quantos de vós facilitou a vida da amiga, na fila do SUS, priorizando-a, em detrimento aos que estavam ali um dia inteiro?

Quantos de vós já se aproveitou de um cargo público que possui para tirar cópias de livros e mais livros inteiros – utilizando-se de recursos do patrimônio público (tinta e impressora);

Quantos de vós já aceitou “pequenos” presentes da iniciativa privada, estando em posse de cargo público?

Esses são apenas alguns dos exemplos das “pequenas corrupções” que a maioria de nós fazemos no dia a dia e nem nos damos conta de que somos tão bandidos, meliantes, mal caracteres, corruptos, ladrões que qualquer um que está lá nos representando.   O que “nos” falta é oportunidade para fazer igual ou pior - infelizmente! 

Enquanto seguirmos assim, com essa mentalidade, nunca teremos bons representantes pois, eles saem do povo e o povo somos nós, os “pequenos corruptos”!  

Então, de que adianta tanto falso moralismo? 

Sair gritando pelas ruas: “FORA ESSE ou ÀQUELE POLÍTICO” não te faz menos corrupto, apenas  demonstra o quão invejoso eres ou interessado no posto dele, estás!

Portanto, razão tinha Machado de Assis quando disse que o ladrão nasce feito, mas a ocasião sim, faz o furtador.

Agora se você não pratica nenhum tipo de corrupção, tem a consciência tranquila 
disso, você sim é digno de ir às ruas pedir, implorar as autoridades que investiguem, julguem e condenem todos os que estão surrupiando do patrimônio público os recursos que deveriam ser investidos na Educação, Saúde, Segurança Pública e desenvolvimento geral do país – se não for assim, seguirei afirmando que são todos uns baderneiros, caras de pau e oportunistas.  Melhor voltar para casa, enfiar a cara num buraco e de lá sair só quando tiver criado vergonha na cara e puder agir diferente dos que são vítimas de tuas “pedras” hoje!



Autoria:  Elane F. de Souza (Advogada-CE)
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