23 de novembro de 2015

Guerra santa: ontem as cruzadas e a caça às bruxas, hoje o terrorismo e a intolerância contra os infiéis. Até quando a fé cega vai matar inocentes?

Infiel:  todo aquele que não crê em determinado segmento religioso.  O evangélico é um infiel à crença baseada no islamismo, do profeta Maomé;  já o ateísta  é um infiel a todas elas!

Ao longo da história, no decorrer dos séculos , a religião cristã matou mais que a maioria das atuais guerras.  As cruzadas são exemplos de como a igreja católica matou para ter domínio da Terra Santa e a Caça às Bruxas a sua prova da falta de tolerância  ao considerado “diferente”

A pessoa que hoje pratica “cura” pela natureza, sem grandes especialidades médicas, apenas com a sabedoria diária e a gosto pela ajuda ao próximo, fazendo “poções”, antes era considerado praticante de bruxaria, digno de ser torturado ou levado  à fogueira.  Assim morreram muitos (mais mulheres) nas mãos dos caçadores de bruxas.

O mais famoso e cruel caçador de bruxas foi  Heinrich Kramer, autor da obra (na verdade um Manual de caça e extermínio às bruxas do século XVI).  Ele nasceu em Schlettstadt, cidade da baixa Alsacia, ao sudeste de Estraburgo. Com pouca idade ingressou na Ordem de Santo Domingo e logo foi nomeado Prior da Casa Dominicana de sua cidade natal. Foi pregador geral e mestre de teologia sagrada. Antes de 1474 foi designado Inquisidor para o Tirol, Salzburgo, Bohemia e Moravia.
O manual redigido por ele com regras e formas de como descobrir se alguém era ou não bruxa foi nomeado de "Malleus Maleficarum" (O Martelo das Bruxas) foi publicado por Kramer pela primeira vez no final do século XV (1487) – escrito em 1486, atingiu, ao longo dos anos seguintes, mais de 30 mil exemplares impressos que se espalharam pela Europa, ajudando a levar cerca de 60 mil pessoas à morte entre os séculos XVI e XVII (a maioria mulheres).

E as cruzadas, o que dizer acerca delas?

As Cruzadas foram movimentos militares cristãos em sentido à Terra Santa com a finalidade de ocupá-la e mantê-la sob domínio cristão.

De início não tinham esse nome, eram chamadas de peregrinações ou guerra santa.  Só mais tarde “apelidaram” de Cruzadas, pois se diziam seguidores de Cristo e suas vestes e escudos tinham cruzes pintadas.

Desde sempre esse “movimento” de “guerra” foi motivado pelo domínio que os cristãos queriam ter sobre a terra santa (Jerusalém) que também era lugar sagrado pela nova concepção religiosa, também monoteísa,  recém criada pelo Profeta Maomé. 

No Século XI o Islamismo já havia crescido, se tornado suficientemente grande para clamar por seus lugares sagrados – foi aí que o embate sangrento, de cunho religioso, envolvendo as duas religiões monoteístas se agravou.

A Primeira Cruzada oficial foi convocada pelo Papa Urbano II, que reuniu a nobreza europeia em 1095 para combater os infiéis que ocupavam a Terra Santa. No ano seguinte, os cruzados partiram para Jerusalém e tiveram sucesso, conquistando a Terra Santa, o principado de Antioquia e os condados de Trípoli e Edessa.

Algumas décadas depois, os muçulmanos conseguiram reconquistar a cidade de Edessa, o que motivou uma nova expedição, a segunda Cruzada, entre os anos 1147 e 1149.  No entanto, não causou a mesma comoção da primeira e resultou em uma grave derrota, o que deixou profundo ressentimento no Ocidente. Mais décadas se passaram e, em 1187, o sultão Saladino obteve uma vitória esmagadora sobre os cristãos em Jerusalém, reconquistando a cidade para os muçulmanos. Em resposta, o Papa Gregório VIII convocou uma nova Cruzada, que ficou famosa pela participação de três importantes reis da Europa: Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra; Frederico Barbarossa, do Sacro Império Romano Germânico; e Felipe Augusto, da França. A Terceira Cruzada, que ocorreu entre os anos 1189 e 1192, mais uma vez, não resultou em vitória para os cristãos, mas o rei Ricardo Coração de Leão conseguiu assinar um acordo de paz com Saladino permitindo a peregrinação dos cristãos com segurança até Jerusalém.

No início do século seguinte, nova Cruzada foi convocada para atacar Constantinopla.  A expedição ocorrida entre 1202 e 1204 tinha fins políticos que não receberam a aprovação do Papa Inocêncio III. A Quarta Cruzada deixou notáveis consequências política e religiosas porque enfraqueceu o Império Oriental e agravou o ódio entre a cristandade grega e latina. Poucos anos depois, em 1208, o mesmo papa convocou uma Cruzada contra os cátaros no Lanquedoc. O catarismo, doutrina que acreditava no dualismo, ou seja, na existência de um Deus bom e outro mal, era considerado uma heresia e seu crescimento incomodava muito a Igreja Católica. Séculos mais tarde, seus seguidores seriam perseguidos também pela Inquisição.

Um dos eventos mais curiosos envolvendo as Cruzadas certamente foi o de 1212. Na ocasião, crianças e adolescentes que acreditavam estarem possuídas do poder divino para reconquistar Jerusalém partiram em direção aos portos para embarcarem rumo à Palestina. A expedição que ficou conhecida como Cruzada das Crianças vitimou vários dos jovens ainda durante a viagem e os sobreviventes foram vendidos como escravos aos muçulmanos quando atracaram no porto de Alexandria. Calcula-se que 50 mil crianças tenham sido colocadas nos barcos da mais desastrosa das expedições cristãs.

Nova Cruzada oficial ocorreria entre os anos 1217 e 1221. Porém o fracasso não seria novidade. A quinta expedição não conseguiu nem mesmo superar as enchentes do Rio Nilo e acabou desistindo de seus objetivos de tomar uma fortaleza muçulmana no Egito. Poucos anos depois, a Sexta Cruzada, ocorrida entre 1228 e 1229, finalmente alcançou sucesso através da liderança de Frederico II. Este conseguiu obter a posse de Jerusalém, de Belém e de Nazaré para os cristãos por dez anos. No entanto, em 1244 os cristãos perderam o domínio dessas localidades novamente para os muçulmanos.

Entre 1248 e 1254, a  Sétima Cruzada foi liderada pelo rei francês  Luís IX que desembarcou para combate no Egito e recebeu a oferta de posse de Jerusalém, a qual recusou. Na continuidade dos conflitos, o rei foi aprisionado e seu resgate custou 500 mil moedas de ouro. Mas foi o mesmo rei que comandou a Oitava Cruzada em 1270. Só que ele faleceu devido à peste logo após desembarcar em Túnis, o que encerrou mais uma expedição. Uma Nona Cruzada ainda é descrita por alguns, embora muitos argumentem que tenha sido parte integrante da Oitava Cruzada. Após a morte do rei Luís IX, o príncipe Eduardo da Inglaterra teria comandado seus seguidores até o Acre (cidade em Israel) para combater os adversários nos dois anos seguintes. Mas, preparando-se para atacar Jerusalém, recebeu a notícia do falecimento de seu pai e decidiu retornar à Inglaterra para herdar seu trono de direito, encerrando a expedição e o turbulento século XIII.

As Cruzadas foram um fracasso em seu objetivo de conquistar a Terra Santa para os cristãos. Custaram muito caro para a nobreza europeia e resultaram em milhares de mortes. Nunca mais Jerusalém foi dominada pelos cristãos, mas as movimentações ocorridas no trajeto para a Terra Santa expandiram os relacionamentos com o mundo conhecido na época.

Se no passado de há séculos o Islamismo foi considerado um intruso, roubando espaço dos cristãos  na Terra Santa hoje é ele, por meio de seus extremistas que querem dominar, não só a Terra Santa, mas também o mundo.



Ontem ao ver uma reportagem tive essa sensação.  Foram entrevistados dois extremistas, que já tinham sido presos, mas hoje estão soltos com fiaça aceita pelo  país  Europeu onde vivem.  Eles afirmavam que não iriam descansar enquanto não vissem todas as mulheres do muindo vestidas adequadamente (totalmente tapadas – como são as fiéis que seguem o Islã).  Chegou a afirmar que a Jornalista deveria estar  tapada; isso porque ele estava sendo entrevistado dentro de território  Europeu.  Imagine dentro de seu próprio território o que seriam capazes de fazer com ela para terem suas vontades  satisfeitas.

Foi filmado também um outro “grupo” de fanáticos que tentava converter pessoas  nas ruas de de uma cidade européia.  Ao se depararem com uma mulher ocidental, de saia curta na rua eles a humilharam e falaram que ela deveria estar toda tapada.  A moça retrucou dizendo que ela estava em seus país e vestia como bem entendesse.   Esse mesmo grupo não foi tão tolerante com um jovem gay que passava.  Apesar de estar num país que não é de maioria Mulçumana ele foi perseguido e chingado na rua como se tivesse obrigação de ser igual a eles.

Com esse pequeno discurso dá para ver um mundo dominado por radicais Islâmicos.  Se nos dias de hoje ainda há uma maioria praticante da religião que prega a não violência, num futuro com essa nova ordem mundial  dos Jihadistas  não dá para saber aonde se vai parar.
Estimativas dão conta de que o grupo e seus aliados  (“Estado Islâmico do Iraque e do Levante" - ISIS, na sigla em inglês) têm sob seu controle ao menos 40 mil km² no Iraque e na Síria, quase o equivalente ao território da Bélgica. Mas outros analistas afirmam que são cerca de 90 mil km², o mesmo que toda a Jordânia.
Esse território inclui as cidades de Mosul, Tikrit, Faluja e Tal Afar no Iraque, e Raqqa na Síria, além de reservas de petróleo, represas, estradas e fronteiras.  São os poços de petróleo no Iraque, que foi dominado por eles, pela posse dos bancos na Síria, pela venda de escravas sexuais e por alguns ricos simpatizantes da causa na Arábia Saldita que sustentam essa guerra.
Ao menos 8 milhões de pessoas vivem em áreas controladas total ou parcialmente pelo 'EI', que faz uma interpretação radical da sharia, forçando mulheres a usar véu, realizando conversões forçadas e exigindo lealdade, obrigando o pagamento de um imposto e impondo castigos severos, que incluem execuções e mortes.  Além disso, escravizam mulheres  (meninas em especial – de fé distinta, que não se convertem), abusam delas de toda forma sexual possível ou as vendem, quando ainda virgens.
Esses extremistas/terroristas atacam, além de território Mulçumano também o Europeu e Americano.  O que eles  pretendem é dominar o mundo, começando por quem mais se opõe a suas investidas de dominação, seu regime brutal e as suas incessantes guerras em busca de mais riquesas e mais fiéis seguidores. No último caso quem mais sofre são os infiéis, as mulheres e os gays.
Se antes os Cristãos travaram “guerra santa” contra os praticantes do islamismo pela “Terra Santa”(Jerusalém), hoje  é o “EI”  (praticantes do Islamismo – todavia, radicais) que querem dominar, não apenas a terra santa, mas também o mundo! 

Tudo isso em nome de deus; só a denominação é distinta (ALÁ)!



Diz o artigo 5º, inciso VI, da Constituição: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais da humanidade, como afirma a Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual somos signatários.

Infelizmente não é bem assim como prega a nossa Constituição e as Nações Unidas.    

Às vésperas do início deste século XXI, em agosto do ano 2000, atendendo ao chamado da Organização das Nações Unidas (ONU), centenas de representantes das diferentes religiões do planeta entenderam que a chegada do novo milênio era uma boa oportunidade, mais uma, para nos amarmos como irmãos e irmãs. E de darmos as mãos pela Paz na Terra.


Reunidos em Nova York, no Encontro de Cúpula Mundial de Líderes Religiosos e Espirituais pela Paz Mundial, lideranças evangélicas, católicas, budistas, judaicas, islâmicas, espíritas, hinduistas, taoístas, esotéricas e de tantas religiões antigas e modernas firmaram um compromisso.  O Compromisso com a Paz Global.
O documento começa com uma série de considerações, sobre as quais vale a pena refletirmos:
· as religiões têm contribuído para a Paz no mundo, mas também têm sido usadas para criar divisão e alimentar hostilidades;
· o nosso mundo está assolado pela violência, guerra e destruição, por vezes perpetradas em nome da religião;
· não haverá Paz verdadeira até que todos os grupos e comunidades reconheçam a diversidade de culturas e religiões da família humana, dentro de um espírito de respeito mútuo e compreensão.
A partir dessas considerações, os líderes religiosos e espirituais do mundo inteiro se comprometeram, entre outras medidas, a:
· condenar toda violência cometida em nome da religião, buscando remover as raízes da violência;
· apelar a todas as comunidades religiosas e aos grupos étnicos e nacionais a respeitarem o direito à liberdade religiosa, procurando a reconciliação, e a se engajarem no perdão e no auxílio mútuos;
· despertar em todos os indivíduos e comunidades o senso de responsabilidade, compartilhada entre todos, pelo bem-estar da família humana como um todo, e o reconhecimento de que todos os seres humanos – independentemente de religião, raça, sexo e origem étnica – têm o direito à educação, à saúde e à oportunidade de obter uma subsistência segura e sustentável.



Fontes:  infoescola , mestreirineuorg   e  BBCorg

Autoria:  Elane F. de Souza (Advogada CE)

Foto/Créditos: Brasil247.com  e  extra.globo

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