9 de novembro de 2015

“Dormindo com o inimigo”! Uma pesquisa apontou que 50% das mortes de mulheres no Brasil envolvem familiar ou parceiro – você acredita nisso?

O estudo "Mapa da Violência2015: Homicídio de Mulheres", divulgado nesta segunda-feira (9), mostra que 50,3% das mortes violentas de mulheres no Brasil são cometidas por familiares e 33,2% por parceiros ou ex-parceiros.



O  Mapa em questão nos dá a entender que é melhor viver solteira.  Filhos e maridos para que, se num futuro podemos nos tornar vítimas deles?

- Estou sendo pessimista ou uma realista exagerada?

Nem um nem outro, apenas colocando e questionando os fatos.

Não é novidade para ninguém a realização de campanhas denunciando o preconceito que ainda hoje afeta as mulheres de um modo geral.

No “seio”familiar são tratadas de forma distinta dos filhos homens, nas Universidades, quando bonitas, são assediadas até por alguns professores que oferecem facilidades em troca de uma “saidinha”;  se são negras e frequentam o mesmo ambiente universitário que os (as) brancas (os) sofrem com o racismo, são tripudiadas porque, “certamente” se utilizaram das cotas para o ingresso; se gordas são excluídas porque o padrão belo é o magro, e no mercado de trabalho então, é aí que o “bicho pega”!

Todas nós já sabemos que, por “debaixo dos panos”, a maioria das empresas deixam de contratar uma mulher mais competente e dá preferência a um homem menos habilitado.  E porque isso acontece?

Mulher mestrua, tem TPM, pode engravidar e passar um bom tempo afastada, além do mais tem sempre a desculpa da dupla jornada, a obrigação da empresa deixá-la amamentar a cada período de tempo….   Mas se for mais velha e mais experiente, por que não?  

- Melhor não, pois em breve terá “depressão” e problemas relacionados à menopausa – esses são alguns dos fatores que “excluem” a mulher do mercado de trabalho. Quando tem a oportunidade de mostrar a que veio e é contratada, a remuneração é inferior a que seria paga a um profissional do sexo masculino.

Esses são alguns dos fatores que transformam a mulher numa vítima da sociedade masculina e até da feminina (imagine que a empresária seja uma mulher – pensando no “sucesso e desempenho” de sua empresa ela prefere contratar homens).

Por esses e outros fatores mais é que devemos lutar para ter uma sociedade igualitária, com direitos, oportunidades iguais e tratamento isonômico.


E a violência doméstica (a intrafamiliar) contra as mulheres, o que dizer?

Não há muito a fazer nesses casos, afinal não podemos escolher aonde iremos nascer – em que família iremos estar nessa caminhada aqui na terra.   Se pudéssemos, uma das coisas que faríamos era escolher o material do berço – ou seja, OURO!

Precisamos começar a campanha de direitos iguais no seio familiar.  Orientar os pais da importância que tem as mulheres no mundo.  Que não somos sexos frágeis, que podemos tudo que ELES podem, e até mais, pois sem nós não existiriam ELES! 

Chega de “padrasto e até de papai” que cria filha para ele próprio!  Mentalidades psicopatas que acreditam ter direitos sobre elas tem que ter um fim!

Você que pensa que criar te dá direito a “papar”, o seu lugar é na cadeia – deixe a criação de teu filho para quem quer dar amor incondicional – sem trocas!

Monstros não deviam  gerar!

Violência é sempre algo muito triste.  Contra mulheres, crianças e idosos ela é ainda pior, dói mais!  Quando acontece dentro de casa, onde devia existir amor, afeição e consideração uns pelos outros aí não existem palavras para explicar o quão vergonhosa, escandalosa e dolorosa ela possa ser.

Acertadamente a lei considera os crimes dessa natureza com agravantes.  E não poderia ser diferente.  É asquerosa, medonha a atitude de um pai que mata o filho, do filho que mata pai, do marido que mata a mulher, do neto que mata os avós, etc.

Não só mortes, agressões de toda natureza acontecem em âmbito familiar e todas elas são consideradas mais gravosas na aplicação da pena. 

Ler os jornais diários e ficar sabendo de mais um pai ou padrasto que estuprou a filha durante anos é deprimente, nojento e aviltante!

Nenhuma mulher imagina que ao se casar com um homem estaria colocando a vida em perigo – que iria dormir com o inimigo; quando nós casamos a última coisa que queremos é saber de morte e violência; sonhamos com o amor, a construção de uma bela família, com um pai doce e gentil para cuidar da prole, educar e mostrar a vida baseada em afeto. 

Infelizmente as pesquisas comprovaram que isso tudo pode ser balela pois, a maioria das mortes de mulheres no Brasil tem origem no núcleo familiar.  Marido, namorados, amantes, companheiros são os que mais matam no Brasil! 

Como fugir de homens assim? 

- Difícil né, uma vez que nenhum deles tem uma estrela na testa dizendo: “sou um potencial assassino”, “gosto de bater em mulher” ou  “caso contigo, mas quem eu quero pegar, é a tua filha menor”!   Ironias à parte mas com finalidade altruísta: deixá-las vigilantes; afinal  ninguém merece ter o “lobo mal” dentro da própria casa!  

De homens dissimulados o inferno e os presídios estão cheios, mas a quantidade aqui fora é bem maior, loucos para dar o bote na primeira“desavisada” que encontrar!

Por Elane F. Souza Advogda (OAB-CE)

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