5 de agosto de 2015

Por que o homem criou Deus?

Foi  relendo um famoso questionamento de   Friedrich Nietzsche, em sua obra “O Anticristo”, que me dei conta que poderia escrever algo acerca do assunto - “Deuses”.

A referida frase diz:   “Seria o homem um erro de deus ou deus um erro do homem?”

Não chego perto da sabedoria do pensador Nietzsche, todavia muito antes de saber que ele tivesse existido (Nietzche) eu já fazia os meus questionamentos acerca da existência ou inexistência de um ser “superior” a nós, que devêssemos obediência, pois era Ele quem nos teria dado a vida e tudo que há na terra.
Eu ainda era uma criança quando imaginava deus da maneira que explicarei a seguir por meio de uma pequena na historia.

- Muitos momentos do meu dia, quando tinha entre 8 e 12 anos passava brincando.  Uma das brincadeiras que mais gostava era pegar gafanhotos e prendê-los em caixinhas, com pequenos furinhos ou sem nenhum e ficar me imaginando deus deles, que a qualquer momento poderia por fim a sua vidinhas insignificantes, o mesmo fazia com as formigas, principalmente se elas me haviam  picado.

Parava diante de um bocado delas e começava a atiçar fogo em cima  usando plástico derretido. Parece sadismo mas não, pois só fazia isso com insetos, animais de estimação, qualquer bicho diferente ou pessoa nunca foi alvo de minha “maldade”.  Com isso comecei a imaginar que deus era assim.  Nós, pequenos insetos, e ele um gigante que fazia o que bem entendesse conosco.

Na época minha família frequentava uma igreja evangélica e eu praticamente era obrigada a acompanhá-los, afinal criança, pelo menos naquela época, fazia o que os pais mandavam.  Lá ia eu contrariada, no entanto, “obediente” como era, ia sem muito reclamar e até me esforçava em prestar atenção no que o Pastor falava.

Era muita coisa inexplicável.  Mula que falava, gente que batia com cajado no rio e ele se abria, comida pronta que caia do céu, água que se transformava em vinho, sem falar em deus que mandava fogo do céu para destruir cidades inteiras e salvar apenas uma família (Sodoma e Gomorra), mesmo para mim que era criança isso parecia surreal – só nas revistas em quadrinhos que eu amava, ou nos desenhos animados que via na TV,  pude ver tanta coisa fantasiosa. 

O pior, ou melhor de tudo é que naquela idade cheguei a acreditar que podia ser uma mulher biônica ou maravilha e até voar como o super homem, mas nunca fui capaz de acreditar fielmente na maioria das coisas que era obrigada a ler na bíblia ou ouvir de algum pastor.  Acho que sempre fui cética!

Foi dessas fantasias bíblicas que comecei a imaginar deus como um gigante invisível que fazia o que bem entendesse conosco para brincar, fazer maldade  ou simplesmente para se “vingar” porque nós não tínhamos feito o que ele queria ou tínhamos feito o que ele não queria que fizéssemos. Era por isso que tive a ideia de brincar de deus com os insetos. Matava simplesmente por eles serem insetos, algumas vezes torturava antes furando suas barriguinhas verdes, já no caso das formigas era porque elas me picavam ou só pelo fato de ser “prazeroso” vê-las morrer no plástico derretivo e fervente.

Hoje, minha forma de pensar pouco mudou.  Após 40 anos continuo cheia de dúvidas e  interrogações. É inconcebível para mim que deus (em ele existindo) continue sendo àquele ser sádico, vingativo e rancoroso de quando eu era uma criança.

Na verdade prefiro crer que é uma fantasia criada pelo homem, uma “bengala” que ele encontrou para se sustentar, algo para  preencher um vazio que não consegue carregar sozinho – uma resposta para perguntas que nunca puderam ser respondidas da forma como gostariam.  
- Como fui criado: do barro ou evoluído do macaco?
- O que faço nesse mundo?
- O que há depois daqui?
- Qual a finalidade dessa minha “passagem”?

Assim, para responder a tais questionamentos criaram  deus à sua imagem e semelhança, e não contrário como repetem aos incautos.

Com o decorrer dos séculos essa fantasia, chamada  deus, passou a ser gerida por homens mais gananciosos e então criou-se as igrejas, os templos de adoração, transformados em fontes de riqueza mundo afora há mais de 1000 anos.



O Novo Testamento registra a história da igreja desde  30 d.C. a aproximadamente 90 d.C. No segundo, terceiro e quarto séculos, a história registra várias doutrinas e práticas católicas romanas entre os cristãos primitivos.

Durante alguns séculos  questionamentos  como esses poderiam custar a vida – duvidar da existência de deus era uma eresia e a pessoa poderia acabar numa fogueira como bruxa ou herege.  

- Sorte a minha que nasci numa época e país bastante tolerantes.  Posso expressar o que sinto livremente, apesar das possíveis críticas que receberei, não corro risco de ser mandada para a fogueira pelo Estado, pois esse, em tese, é laico; infelizmente não é o que se passa, ainda hoje, em alguns países do mundo que adota um deus e religião oficial e impõe ao cidadão – ou segue ou será apedrejado!



Pensadores, filósofos, estudiosos de várias áreas do conhecimento criticam a religião e duvidam da existência de um deus. O principais, que se tem notícia, são:

*Filosofo Denis Diderot (1713 – 1784) é um dos mais ferrenhos críticos francesses da religião, autor, dentre vários, do livro A Religiosa. Nesta obra, Direrot ataca diretamente a igreja Católica e as praticas eclesiásticas. Além disso, em A Religiosa, o autor denuncia vários abusos cometudos pela igreja – que, na época, detinha um poder inquestionável perante a população europeia como todo. É celebre a frase em que Direrot diz: “O homem só será livre quando o ultimo déspota for estrangulado com as entranhas do ultimo padre.”

*Na Grecia, quem difundiu as ideias da ausência de deus foi o filosofo nascido na ilha de Samos em 341 a.c., Epicuro mesmo não sendo propriamente um ateu, levantou a questões de que os deuses nada mais são do que simples analogias das qualidades humanas. Durante seus estudos, Epicuro indagou relação das pessoas com os deuses do Olimpo, pois, para ele se os deuses existissem, eles teriam mais com o que se preocupar em vez de criarem métodos de sofrimento para as pessoas.

*Influenciado pelo epicurismo, o filosofo Carnéades, de Cirene (214 – 129 a.c.) chegou a dzer abertamente em publico que os deuses não existiam. Na ocasião ele estava em Roma, enviado com mais dois outros filósofos para representar Atenas na cidade. A declaração do pensador foi durante uma conferencia no senado romano e é considerada a primeira manifestação publica de ateísmo filosófico.  

*Nesse período, ouve uma grande proliferação dos ateus na Europa. Tido como principal filosofo contemporâneo ateu e um de seus mais notáveis difusores, o alemão Ludwig Feuerbach (1804 – 1872) chegou a influenciar o mais conhecido pensador ateu: Karl Marx. As ideias de Feuerbach têm como base que deus é a projeção do desejo de perfeição do homem. Assim, deus nada mais seria do que o próprio homem evoluído dentro de uma concepção divina. Na obra mais famosa do autor. A Essência Do Cristianismo, Feusrbach diz que o pensamento teológico, na verdade, é o desenvolvimento de um raciocínio em que “o homem cria deus a sua imagem e semelhança”.

*Contemporâneo de Feuerbach, e também alemão, Karl Marx (1818 – 1883) exprimeiu com clareza a tendência ateia no livro Uma Contribuição A Critica Da Filosofia Do Direito De Hegel, de 1844. Na obra, Marx expos as ideias anticlericais e antiteistas, influenciando uma serie de pensadores modernos ao ter, em uma das características, a declaração explicita do ateísmo como consciência individual. Todas as revoluções marxistas, como na URSS ou  na china, tiveram como marca a perseguição religiosa. Em razão dessas perseguições, mortes e prisões, ate hoje se relaciona o comunismo marxista a intolerância religiosa.

*Ainda na Alemanha no século 19, outro influente pensador ateu foi Friedrich Nietzsche (1844 – 1900). Nascido no ano de publicação do livro de Marc. Uma contribuição a critica da filosofia do direito de Hegel, no antiteismo, Nietzsche é conhecido pela famosa frase: “Deus  esta morto”, além do questionamento: “Seria o homem um erro de deus ou deus um erro do homem?” feito no polemico livro O anticristo, em que Nietzsche ainda proclama que o único cristão morreu na cruz. No caso, isso seria uma critica a origem do cristianismo, pois, para Nietzsche, o fundador do cristianismo não foi Jesus, mas Paulo de Tarso, que teria deturpado os ensinamentos de cristo a partir de suas próprias interpretações.

*Conhecido pela vertente filosófica existencialista, Jean-Paul Sartre (1904 – 1980) é um dos mais notórios pensadores do século 20. Influenciado pelo marxismo, Sartre desenvolveu uma dialética que explana varias razoes para a inexistência de deus. Em decorrência da defesa do existencialismo ateu, suas obras foram ate mesmo incluídas na lista de livros proibidos pelo vaticano. O existencialismo sartreano reconhece a moral laica em que os valores humanos existam sem a necessidade do divino. Considera a moral uma consciência de responsabilidade do próprio individuo, não o medo da punição divina pelo erro.

*Dos pensadores ateus contemporâneos, um dos mais proeminentes é estadunidense Sam Harris (1967). Graduado em filosofia, recebeu o titulo de doutor em neurociência em 2009. O pensamento de Harris se baseia em pontos tanto ideológico como físicos para demonstrar a “farsa das religiões”, sendo esse o mote de doutorado em neurociência. Durante os anos de estudo, Harris utilizou imagens de ressonância magnética para conduzir pesquisas de base neurológica a respeito de crenças, descrenças e incertezas. Harris escreveu dois livros: A Morte Da Fé (2004) e Carta A Uma Nação Crista (2006) e, finalmente;

* Stephen William Hawking, nascido em Oxford em 8 de janeiro de 1942, é um físico teórico e cosmólogo, um dos mais consagrados cientistas da atualidade. Doutor em cosmologia, foi professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge, onde hoje encontra-se como professor lucasiano emérito, um posto que foi ocupado por Isaac Newton,  Paul Dirac e Charles Babbage.   Hawking se descreve como ateu.  Ele repetidamente tem usado a palavra "Deus" em seus livros e discursos, mas segundo ele próprio, no sentido metafórico e relativo.  Sua ex-esposa Jane já afirmou que durante o processo de divórcio, ele se descreveu como ateu. Hawking declarou que não é religioso no sentido comum, e que acredita que "o universo é governado pelas leis da ciência. As leis podem ter sido criadas por um Criador,  mas um Criador não intervém para quebrar essas leis". Hawking comparou a ciência e a religião durante uma entrevista, dizendo "há uma diferença fundamental entre a religião, que se baseia na autoridade; e a ciência, que se baseia na observação e na razão. A ciência vai ganhar porque ela funciona".



Fonte: Nerdentários.wordpress  e  pt.wikipedia
Autoria e Comentários: Elane F. de Souza OAB-CE 27.340-B Administradora do Blog

Foto/Créditos: glademirstocco.blogspot   e  espiritualidadee.blogspot




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