11 de agosto de 2015

Fiz Direito, estou Advogado(a)

Você é do tipo que passou os cinco anos da Faculdade sonhando em terminá-la, pois já não via a hora de exercer o belíssimo ofício da Advocacia; ou ao contrário disso, iniciar uma nova fase, qual seja, a dos concursos públicos?
Para muitos recém formados, a possibilidade de se tornar Servidor público intermediário (do tipo Analista dos Tribunais), ganhar um bom salário, aprender muito e "se livrar” da Advocacia é um sonho pois, se assim for, haverá, igualmente a contagem dos 3 anos e poderá, num “futuro próximo” (se seguir estudando), tentar Defensoria, Ministério Público Estadual, Federal e até Magistratura. Tem muitos que fizeram Direito para isso! “Estão Advogados” por falta dessa opção – não conseguiram sequer, passar num desses de nível “superior intermediário”.
Sejamos honestos, a Advocacia é um dos mais belos ofícios que conheço, todavia exercê-la não está fácil. Quem colar grau hoje, conseguir aprovação imediata na OAB, se não tiver feito um bom “pé-de-meia” para iniciar sozinho, ou um amigo (que seja dos bons) para montar um escritório em sociedade estará, literalmente “ferrado”; por outro lado, se já tiver papai, mamãe, titio, irmão ou cunhado que tenha a vida resolvida na Advocacia melhor ainda, assim é só chegar e trabalhar (conheci muitos que tinham esses subsídios e hoje estão bem; não querem nem saber do setor público). No entanto, não é isso que se passa na vida da maioria dos acadêmicos de direito. Hoje, a maioria não tem nenhum tipo de recurso; a não ser aquele valor mensal que desembolsa, com muito sacrifício, para pagar a Faculdade privada, pois não conseguiu aprovação na pública, nem bolsa de estudo, muito menos “patrocínio” do Governo Federal para estudar.
Assim, gasta o que tem e não tem para colar grau superior, no final, após anos de formado é que passa na OAB, vai tentar a vida na profissão, se frustra pois não tinha suporte financeiro suficientes; é aí que parte para os concursos, até de gari se for preciso, dependendo da capital onde viva. São Paulo e Rio por exemplo, são capitais aonde concursos públicos são disputados até pela quantidade de filhos que o candidato possui! Imagine se o certame for para cargos específicos de Bacharel em em Direito?
Fiz Direito estou Advogadoa
Técnico do Judiciário, apesar da exigência ser de nível médio, é difícil encontrar candidatos que conseguiram aprovação e tenham apenas o intermediário, não é impossível, todavia é raro, o mais comum é que sejam bacharéis em alguma área do conhecimento.
Venho de família de poucas posses. No bairro onde vivi, adolescência toda e grande parte da juventude, havia escritórios de advocacia em praticamente todas as ruas, no entanto não era uma comunidade de pessoas com dinheiro, pelo contrário, como já disse, era um local de gente classe média baixa; todos os que se atreviam a fazer faculdade de Direito e morava ali, no final do curso montava o escritório na própria casa (economizavam em despesas aproveitando-se dos espaços que tinham, quando tinham). Geralmente não era grande coisa, apenas um pequeno espaço, com poucos móveis e nenhum auxiliar ou secretário que pudesse receber os clientes.
Esse tipo de escritório, modesto, que mal se ganha para “sobreviver” existe em todo país. O bairro onde vivi e vive minha família até hoje, há dezenas e mais dezenas deles disputando os clientes que, quando aparecem, pagam parcelado e de preferência o valor mínimo da tabela, quando não menos - desvalorizando toda uma classe!
Na época em que me formei ainda era preciso se dirigir ao Fórum ou Tribunais para tudo (não havia protocolo on-line nem assinatura Digital), a maioria das coisas, para se resolver, querendo ou não, era obrigatório se locomover até o local. Hoje, felizmente, muita coisa se faz pela internet. Bons tempos estes, e parece que vai ficar melhor com a efetivação plena dos Escritórios Digitais. Quem gosta de comodidade é tudo, além disso economiza-se em tempo e dinheiro com gastos desnecessários.
A vida está corrida, qualquer tempo que se tem é precioso para investir em algo mais.
Hoje, se me perguntassem o que espero da Advocacia eu diria que a valorização da classe é a palavra chave. Se todas as Seccionais investissem em valorizção e defesa, coibindo certos tipos de abusos que acontecem em desrrespeito as prerrogativas, além disso investir pesado em fiscalização – o que evitaria o aviltamento dos honorários por parcela da Advocacia; uma forma desonrrosa de captação de clientela, esses seriam os investimentos que espero da Advocacia para transformá-la em uma profissão ainda melhor do que é.
Sou uma afortunada por tê-la escolhido, em entanto já não tenho o mesmo prazer que tive há alguns anos, hoje o que desejo é o que desejam muitos recém formados (exercer a Advocacia, todavia a pública), ou partir para o Ministério Público ou Defensoria Pública. Em nenhum momento da vida me vi fazendo outra coisa; defender a sociedade ainda é, e sempre seguirá sendo o meu melhor sonho! Portanto, não “estou Advogada”, sou Advogada, mesmo que uma eterna estudante do Direito!
Para terminar, um Feliz dia do Advogado para todos os JusBrasileiros que, como eu, orgulhosamente, exercem a profissão!
Fiz Direito estou Advogadoa
Autoria: Elane F. De Souza OAB-CE 27.340-B (proibida reprodução sem citar a fonte)
Foto: heliosilvars. Blogspot e CNJ


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