14 de julho de 2015

Direitos Humanos para Humanos e (des)humanos e a “banalidade do mal”!

Aos que professam a religião em que Jesus é Profeta e enviado, filho do Deus, cito o Sermão da Montanha onde, segundo Evangelho de Mateus 5:38-42, Ele responderia a um agressor sem o uso da violência.



«Tendes ouvido que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo: Não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te dá na face direita, volta-lhe também a outra; ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e quem te obriga a andar mil passos, vai com ele dois mil. Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.» ( Mateus 5:38-42).
A seguir, no Evangélio de Lucas, em outro Sermão, este chamado de Sermão da Planície, a frase foi dita após o mandamento de Amar os Inimigos (Mateus 5:43-48), Jesus disse:
«Digo, porém, a vós que me ouvis: Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos insultam. Ao que te bate numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te tira a capa, não lhe negues a túnica. Dá a todo o que te pede; e ao que tira o que é teu, não lho reclames. Assim como quereis que vos façam os homens, assim fazei vós também a eles.»(Lucas 6: 27-31)
Esses relatos estão na bíblia, livro que é sagrado para a maioria da população Brasileira, evangélica e católica, que professa a fé em Deus (Jeová) e Jesus Cristo, seu filho.
No entanto, apesar de haver várias passagens como essas no "livro sagrado”, a população que diz seguir os ensinamentos ali expostos decidiu fechar os olhos para eles e fazer o que melhor lhes dê na gana.
“Ao amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão”? Isso também é bíblico e inquestionavelmente sábio pois, não há nada mais fácil do que amar quem nos ama; no entanto, amar quem nos faz ou fez o mal é outra coisa, só os de "espírito puro" tem essa capacidade. Esses são raros, se o céu ou o paraíso existirem depois da morte só eles o herdarão.
Portanto, de que adianta falar e gritar pelo nome e em nome do Senhor se se portam da forma que certamente ele desaprovaria. 
Apesar de não crer na possibilidade da existência de um deus venho seguindo a maioria dos mandamentos bíblicos, não pelo fato de estar na bíblia, mas porque para mim é o certo a fazer.
Respeitar o próximo e lutar pela oportunidade de quem quer que seja ter um julgamento justo, com ampla defesa e contraditório, diante de um juízo pré-existente é minha meta diária.
Não dou a outra face, nem oro pelos meus inimigos, tampouco desejo vê-los se livrando soltos pelas barbáries que possam ter cometido; no entanto, mortos e torturados é algo que não me vem a cabeça em momento algum. 

Quando sou questionada sempre digo: “todos merecem julgamento justo, uma nova chance para se arrepender, repensar o mal que fizeram”.
Sempre que escrevo um artigo falando de direitos Humanos noto um e outro comentário que supostamente faz entender que defendo bandido – ledo engano de quem pensa assim. 

Não suporto barbárie de nenhum lado, quem sofreu tem ainda mais o meu lamento e dor, no entanto pagar o mal com o mal "não é de Deus" (para quem acredita), já para quem não acredita, como eu, defenda a utilização dos Direitos Humanos pois ela (a DUDH) foi elaborada justamente para isso, destinada aos“humanos e aqueles que consideramos (des) humanos” – uma justiça baseada na Lei é para todos, fazê-la com as próprias mãos é coisa para bárbaros, deixe para o Estado o que lhe é de Direito e obrigação!
Direitos Humanos para Humanos e deshumanos e a banalidade do mal
Direitos Humanos DUDH
Por várias vezes ouvi que “vingança é um prato que se come frio” e nisso acredito muito! Fazê-la não trará o ente querido de volta nem dará paz ao coração. O estado anterior das coisas não retorna por mais torturado, atiçado e queimado que o autor seja (muitas das vezes nem é o autor do delito; foi, apenas, confundido com ele), e morre da pior forma sem sequer saber o porquê. 

A má sorte dessas pessoas é se parecerem e/ou serem confundidas com o criminoso, ou mesmo estar no lugar errado na hora errada!
- Como se sentiria sabendo que torturou e matou um inocente? Isso também não tem volta. Ao praticar "justiça com as próprias mãos" você se torna igual ou pior que o bandido que pretendia matar, se não for visto dessa maneira pela maioria da população será visto pelos “olhos” do Deus de vocês, daquele em que acredita!
Não podemos deixar que a tortura e a morte se tornem banais aos nossos olhos; nem de um lado nem do outro! Ou acaso crê que essa forma cruel de fazer justiça é diferente da forma utilizada pelo criminoso quando comente brutalidades inimagináveis? Linchar uma pessoa é tão cruel quanto.
Nunca vi um linchamento ao vivo, nem quero ter a infelicidade de ver, NUNCA, não tenho emocional suficiente para tanto! Todavia, já acessei alguns desses vídeos que circulam no YouTube, não por sadismo, apenas com a curiosidade de ver como agem uma multidão furiosa.
Recordo-me de um linchamento que aconteceu há muitos anos no Mato Grosso (creio que em Matupá ou Guarantã),uns dos primeiros que tivemos conhecimento pela TV e meios digitais de comunicação.

Uma multidão furiosa se reuniu na cidade e foram render policiais que faziam o transporte de uma quadrilha que havia, há pouco, assaltado um banco local usando reféns como escudo.

Armados com paus e combustível foi fácil retirar os poucos policiais do local, e torturar e incendiar, ainda vivos, os assaltantes

Foi assim que, pela primeira vez no Brasil, tivemos um linchamento gravado e enviado às TVs do Estado e do restante do Brasil, depois disso “virou moda”, até porque todo mundo tem um celular com câmara – filmar essas barbáries dá ibope e surgem debates mais positivos que negativos, e o melhor, populariza o autor das filmagens com muitos likes nas redes sociais. 

"Uma vida a mais que se vai não tem importância, desde que curtam minha página no face"! Pessoas assim, são tão sádicas quanto os que participaram, efetivamente, do linchamento!
Geralmente quem participa desse tipo de barbárie alega que vive num Estado “sem lei” (anomia?), mesmo quando ela existe não funciona e se funciona não é da forma como gostariam – segundo eles a “Justiça” julga, prende mas logo solta. Para acabar de vez com o perigo que os ronda diuturnamente a única maneira é exterminar pois, mais cedo ou mais tarde, a vítima pode ser ela, se hoje foi com o vizinho...
No entanto, ao pensar dessa forma o ser humano esquece que vive num estado com leis, leis essas que devem ser seguidas por todos; ao banalizar a “justiça dos justos” (a institucionalizada, a votada, a ajustada) nos tornamos iguais aos que repudiamos e que cremos não ser dignos de viver conosco em sociedade. É mais ou menos como escreveu Nietzch certa vez:
"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não se tornar também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você".(Friedririch Nietzch, New York: Dover Publications Inc., 1997).
Fonte: bíblia sagrada
Autoria: Elane F. De Souza OAB-CE 27.340-B (ao copiar, distribuir ou inserir trechos, cite a fonte) - primeiramente publicado no jusbrasil - julho/2015
Foto/Créditos: culturabrasil. Org; estrelacadente. Wordpress e alvinhopatriota. Com. Br


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