20 de julho de 2015

Dia do amigo e a “namofobia”

Amizades hoje são algo bastante distinto do que era na minha época de adolescente, não que eu seja tão velha assim, apenas faço parte da geração X, dos que nasceram em meados dos anos 60 até final de 70 e presenciaram as “Diretas Já” e o final da Ditadura.(é, realmente faz tempo)!
No meio profissional a Geração X é caracterizada atualmente por certas resistências em relação a tudo que é novo, além de apresentar insegurança em perder o emprego por pessoas mais novas e com mais energia. Estas formam a sucessora da Geração X, infelizmente essa é uma análise correta dos fatos, da vida dos que nasceram nessa época.
Mas, algo de bom teve; a nossa geração soube o que realmente era amizade pois convivíamos mais com pessoas do que com máquinas, aparelhos eletronicos de comunicação em massa (redes sociais),; isso só apareceu quando éramos maiores e já haviam pessoas da geração Y em evidência.
Saimos, nos divertíamos nas discotecas, “barzinhos”, festas, jantares sem nos preocupar com aparelhos que apitavam a todo minuto em nossas bolsas (bolsos) avisando que havia chegado uma nova mensagem ou um curtida em nossas fotos das redes sociais.
Hoje, as pessoas estão mais ligadas no que se passa na “internet” (redes sociais) do que naquilo que está passando em sua vida no momento. Não tem tempo para curtí-la, a coisa tem que ser fotografada ou filmada rapidamente para ser postada porque necessitamos de “likes” para viver!
Dia do amigo e a namofobia
Dar valor ao momento que passamos ao lado de alguém que nos ama, ou desfrutando de uma bela paisagem ou monumento não tem mais valor, o valor disso é quando se fotografa e posta e centenas de “amigos” curtem e comentam, se isso não acontecer chega a tristeza, ansiedade, fustração e até depresssão, é o que diz a psicóloga da USP Dora Goes numa reportagem do R7 (a maioria dos viciados em celulares são os da geração Y e Z), isso não quer dizer que alguns de minha geração esteja imune a “namofobia” – este é o nome dado as pessoas que não vivem sem celulares).
A perda de laços verdadeiros são comuns hoje em dia! Por mais que se tenha “amigos” e esteja ao lado deles ainda não é suficiente para nossa realização, temos um olho no “amigo” e outro no celular; basta sairmos por aí e darmos uma “espiada” nas escolas no horário de intervalo; ou nos Shoppings centers onde circulam muitas pessoas acompanhadas, muitas vezes estão mais ligadas no aparelho que no companheiro (a) ao lado: Nos restaurantes chega a incomodar a falta de educação de alguns – até quando comem tem que tocar no maldito aparelho, se não for para fotografar a comida e postar, é para ver a mensagem que chegou!
O pesquisador do Instituto Delete, empresa dedicada a orientar e informar à sociedade sobre o uso consciente das tecnologias, Eduardo Guedes afirma que a principal causa para o abuso no uso do celular é a ansiedade.
— Muitas pessoas usam o celular como muleta, porque se sentem sozinhas, e veem o celular como companhia. São ansiosas, têm pânico, e o celular faz o contato com o mundo.
Para o pesquisador, o principal problema é a substituição da vida social pelas relações virtuais, e isso se torna um círculo vicioso, que se agrava cada vez mais. (Veja Aqui R7 )
— Tivemos uma paciente extremamente ansiosa que trocou o vício do cigarro pela tecnologia. Ela teve problemas pulmonares por causa do cigarro e trocou o vício. Ela começou a jogar a fazendinha do Facebook, mas o grau de dependência era tanto, que se ela tivesse problemas de conexão com a internet, ela ia para a LAN house mais próxima à casa dela para fazer a colheita na hora certa.
De acordo com a psicóloga, os mais jovens, entre 13 e 25 anos, são os mais propensos a desenvolver o vício, idade na qual a opinião dos outros ainda é muito influente. Segundo dados de 2013 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 66% da população brasileira acima de 10 anos possuía telefone móvel.
Guedes ainda afirma que o uso abusivo das redes sociais acontece porque falar de si mesmo gera prazer. Segundo ele, em uma conversa normal, falamos de nós mesmos 30% do tempo. Nas redes sociais, falamos de nós cerca de 90% do tempo. E isso é alimentado pelas curtidas e comentários dos outros usuários.
Na visão da psiquiatra da USP, além do prejuízo social, das relações interpessoais, outra consequência negativa é a alteração do padrão do sono.
— As pessoas simplesmente não desligam o celular. Tem gente que dorme com o celular debaixo do travesseiro pra ver as mensagens durante a noite. Por isso, a alteração do padrão do sono também se caracteriza como sintoma, e mais do que isso, como consequência, porque isso afeta todas as demais atividades que a pessoa faz.
Consequentemente, tudo se torna uma cadeia de prejuízos, explica Dora. Já que, além de dormir mal, a pessoa acaba produzindo menos, seja no trabalho ou na escola, porque não teve um sono reparador. Falando em outras atividades, um dos maiores perigos é o trânsito, não só pelo fato de poder acabar dormindo ao volante, mas também pelo fato de não parar de ver mensagens enquanto dirige.
Dia do amigo e a namofobia
Além do vício e do padrão do sono, a psiquiatra explica que outras consequências da nomofobia podem ser a falta de concentração, problemas de visão (por causa da exposição à tela), sedentarismo, tendinite, problemas na coluna por causa da postura, e até na alimentação.
— O vício em tecnologia pode mascarar a depressão. Normalmente, a pessoa se sente mal por algum motivo externo e começa a se esconder nas redes sociais. O problema é que isso acaba virando um círculo, porque ela se isola ainda mais e se sente mais sozinha, e isso continua.

“Mostrar é mais importante do que o viver”

Dora acredita que as pessoas desaprenderam a viver. Para a psicóloga, muitos viraram reféns de curtidas e compartilhamentos.
— Ao invés de serem felizes, elas querem mostrar que são. O mostrar passou a ser mais importante do que o viver ou fazer. Isso faz com que a pessoa tenha menos prazer em viver a vida.
A especialista dá o nome de sociedade do espetáculo para este fenômeno. Para ela, as pessoas se sentem mal com a vida que têm, e precisam mostrar o que estão fazendo para agregar valor ao que fazem.
— Para mim, há uma deturpação do que agrega valor à vida ou não. Mas isso é retroalimentado, porque, quanto mais eu mostro, mais os outros querem ver. As pessoas deixaram de desfrutar do momento para postar. E fica um buraco, uma falta de sentido, e os likes e comentários preenchem esse vazio. Aí, quando vem o vazio de novo, eu posto outra vez. A pessoa se torna extremamente dependente da opinião dos outros. A noção de felicidade é instantânea.
Dora Goes ainda ressalta que quem convive com a pessoa que exagera no uso do celular percebe melhor a dependência.
— A pessoa até sabe que usa muito, mas normalmente perde o senso crítico de que está exagerando. Por isso, quem está convivendo com a pessoa percebe melhor e deve procurar ajudar.
Segundo Guedes, a questão é que, normalmente, se percebe quando o vício já está no último estágio, do conflito com pessoas mais próximas.
— Por isso que é importante o trabalho de conscientização para a prevenção. Porque o uso do celular ainda é socialmente aceito. Se você está no trânsito e vê alguém bebendo enquanto dirige, você se incomoda, mas se você vê a pessoa no celular ou digitando uma mensagem, ainda não é visto como um problema.
Fonte: R7 Brenno Souza, estagiário doR7
Autoria/Comentários: Elane F. De Souza OAB-CE 27.340-B
Foto/Créditos:revistadominios. Com e rosarioemfoco. Com. Br


Postar um comentário